Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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A buzina por trás do sucesso de “O Calhambeque”

A adaptação de Erasmo Carlos transformou uma canção americana pouco conhecida no maior sucesso de Roberto Carlos em 1964.

A buzina de um carro antigo deu a Erasmo Carlos o ponto de partida para criar “O Calhambeque”, música que se tornou o maior sucesso de Roberto Carlos em 1964. A faixa aparece como a sétima do álbum “É Proibido Fumar”, lançado pela CBS em agosto de 1964, e ajudou a consolidar o cantor em todo o Brasil.

A canção nasceu de “Road Hog”, gravada em 1962 pelo americano John D. Loudermilk. Erasmo encontrou a música enquanto pesquisava discos importados no acervo de uma editora musical carioca. Como não falava inglês, imaginou a história a partir da buzina da introdução: um rapaz que troca o Cadillac por um carro velho.

A letra original fazia piada com policiais de Nashville, mas Erasmo não sabia disso. A adaptação ganhou outra narrativa e foi apresentada a Roberto, que se entusiasmou com a possibilidade de transformar o carro antigo em símbolo para a juventude. “Se a lambreta era motivo de sensação, por que o calhambeque não seria?”, afirmou o cantor, em declaração reproduzida pela biografia “Roberto Carlos em Detalhes”.

Do estúdio às paradas

As gravações aconteceram em junho de 1964, quando Roberto já tinha o respaldo da CBS. Ele pediu um arranjo próximo do original, com violão e uma introdução falada. Como a gravadora não mantinha efeitos sonoros em seu catálogo, o técnico Eugênio de Carvalho buscou o som da buzina com um sonoplasta da Rádio Nacional. O efeito foi retirado dos relançamentos atualmente disponíveis no streaming.

Outro trecho exigiu insistência: a risada perto do fim da música. Na época, correções dependiam de cortes precisos na fita, feitos com gilete. Roberto repetiu a gravação até a 18ª tentativa e decidiu aproveitar a segunda versão.

“O Calhambeque” não ficou no topo das paradas porque Giane liderava com “Dominique”, mas o compacto chegou à primeira posição entre os mais vendidos em São Paulo em outubro de 1964, à frente de “Twist and Shout”. Em Curitiba, fãs quebraram a vitrine de uma loja para ver Roberto de perto.

A chegada de Roberto à CBS

Antes desse resultado, Roberto havia passado três anos enfrentando recusas. O capixaba de Cachoeiro de Itapemirim foi demitido da Polydor e rejeitado por Chantecler, Continental, RCA Victor, Odeon, RGE, Copacabana e Philips. O contrato com a CBS veio por articulação de Carlos Imperial, depois que Sérgio Murilo entrou em conflito com a direção da gravadora.

Na nova casa, Erasmo adaptou “Splish Splash”, de Bobby Darin. O compacto funcionou no Rio e no Nordeste, mas não alcançou São Paulo. A dupla só avançou no mercado paulista com “Parei na Contramão”, primeira composição própria dos dois a fazer sucesso. Naquele período, Roberto ainda trabalhava como funcionário público.

Erasmo também enfrentou rejeições e lançou seu primeiro compacto pela RGE em 1964, com “Jacaré” e “Terror dos Namorados”. No ano seguinte, chegou o primeiro LP, impulsionado por “Festa de Arromba”. Depois, Roberto, Erasmo e Wanderléa passaram a comandar o programa “Jovem Guarda”, na TV Record, que daria nome ao movimento.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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