A busca pela imortalidade conduz Franckensteina Strataemontanus, sexto álbum do Carach Angren, lançado em 2020. Em vez de recontar diretamente a história de Mary Shelley, a banda constrói uma narrativa ficcional a partir de Johann Konrad Dippel, figura alemã associada ao Castelo Frankenstein, perto de Darmstadt.
Dippel (1673–1734) foi teólogo, médico, alquimista e estudioso. Uma teoria sem comprovação histórica afirma que ele pode ter inspirado Victor Frankenstein. O grupo investigou essa possibilidade e a incorporou ao conceito do disco, sem a intenção de produzir uma biografia histórica.
Um personagem entre sonho e pesquisa
Antes de estudar Dippel, Ardek teve um pesadelo com um homem velho e de aparência sinistra dentro de uma casa ou castelo antigo. Durante a pesquisa, encontrou uma imagem do alemão e reconheceu no rosto dele uma semelhança com a figura vista no sonho.
A partir daí, o álbum imagina Dippel como alguém determinado a vencer a morte e criar ou restaurar a vida. Quando ciência, conhecimento e religião não bastam, ele avança em direção ao ocultismo, à necromancia e ao pacto demoníaco. Seregor explicou que, na versão do grupo, o personagem abandona a fé e recorre ao Diabo em busca da imortalidade.
O conflito central não está apenas em uma criatura ressuscitada. A ameaça também nasce do ser humano que acredita ser capaz de ultrapassar os limites da natureza. A banda resume essa ideia ao tratar o próprio disco como um “monstro” criado por ela.
Um laboratório sonoro
O nome Franckensteina Strataemontanus, usado por Dippel em trabalhos universitários, é explorado pelo Carach Angren como uma possível origem da palavra Frankenstein. O grupo combina fatos, lendas e ficção, além de inserir referências a figuras do imaginário alemão, como o Vampiro de Nuremberg.
Essa concepção aparece na música com elementos industriais, mecânicos e eletrônicos somados à orquestração e ao black metal teatral da banda. Teclados, ruídos mecânicos e atmosferas cinematográficas sugerem um laboratório em funcionamento. Na faixa-título, galvanismo, alquimia, ciência, feitiçaria, carne, ossos, necromancia e Mephistopheles integram a mesma narrativa.
O resultado é uma história sobre criação, morte e a tentativa de se aproximar do poder divino. No álbum, o preço dessa ambição aparece quando o conhecimento não entrega a imortalidade e a obsessão leva o personagem ao pacto demoníaco.







