O fim do Cream, em 1968, abriu espaço para uma nova parceria que ajudaria a antecipar características do heavy metal. Depois da separação de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, o produtor Felix Pappalardi passou a buscar um novo caminho para a experiência acumulada ao lado do trio.
A conexão surgiu com Leslie West, guitarrista com quem Pappalardi já havia trabalhado nos tempos do The Vagrants. West deixava o soul e o R&B da antiga banda para investir em uma música mais pesada, influenciada pelo Cream e por Eric Clapton.
Do estúdio ao palco
O primeiro resultado da aproximação foi o álbum solo “Mountain”, de West. Pappalardi tocou baixo no trabalho e percebeu que a combinação entre os dois poderia ir além das gravações. Assim nasceu o Mountain, que fez seu terceiro show em Woodstock ainda em 1969.
A faixa que consolidou o grupo foi “Mississippi Queen”, lançada em 1970. A música alcançou o 21º lugar na Billboard ao combinar riff pesado, volume alto e uma sonoridade que, naquele momento, ainda era pouco comum. Leslie West disse à MusicRadar que buscava uma guitarra capaz de soar como três ao mesmo tempo.
West também reconhecia diretamente a influência do Cream. Em entrevista à Guitar World, afirmou: “Eu apenas continuei de onde Clapton parou quando saiu.” A declaração resume a relação entre o trabalho do guitarrista e o caminho aberto pelo ex-integrante do Cream.
A origem de “Mississippi Queen” foi menos planejada do que o resultado final sugere. A estrutura veio de uma ideia de Corky Laing, influenciada por “Up on Cripple Creek”, do The Band. West transformou a base em um riff mais agressivo.
Com Pappalardi levando sua experiência de estúdio para a nova formação e West ampliando o peso da guitarra, o Mountain surgiu em um período de transformação do rock. O grupo deu continuidade a uma sonoridade associada ao Cream e ajudou a preparar o terreno para o heavy metal.








