LOS ANGELES — O Love não conquistou o mercado americano com “Forever Changes”, mas o álbum acabou ganhando uma permanência que seus números iniciais não indicavam. Lançado em 1967, o disco hoje aparece entre as obras mais reverenciadas da cena musical de Los Angeles, com Robert Plant incluindo-o entre seus favoritos.
A admiração também alcançava o The Doors antes mesmo da chegada do álbum. Arthur Lee insistiu para que Jac Holzman, então chefe da Elektra Records, assistisse ao Love. A aproximação ajudou Holzman a conhecer a banda de Jim Morrison, que via no grupo um parâmetro para o futuro do The Doors.
Ray Manzarek recordava o impacto provocado pelo Love entre os músicos da cidade. “Love era uma das coisas mais quentes que eu já tinha visto”, afirmou. Ele também dizia que a banda de Lee era a mais influente de Los Angeles naquele período e que todos esperavam uma consagração nacional.
Uma reputação construída com o tempo
A projeção esperada não veio nos Estados Unidos. “Forever Changes” alcançou o 154º lugar da parada americana, enquanto “Alone Again Or”, faixa mais conhecida do disco, ficou fora do Hot 100. No Reino Unido, o álbum teve desempenho melhor e chegou ao 24º lugar.
O reconhecimento artístico, porém, seguiu outro caminho. Violões, cordas, metais e psicodelia se combinam às letras inquietas de Arthur Lee. O músico contou depois que gravou o trabalho acreditando que não havia mais esperança no mundo e que poderia morrer, como se estivesse registrando suas últimas palavras.
Em artigo publicado pelo LA Weekly, Jeff Weiss classificou “Forever Changes” como possivelmente o maior álbum já feito em Los Angeles. A avaliação ajuda a dimensionar como a obra passou a ser vista com o tempo: um disco que vendeu pouco nos Estados Unidos em 1967, mas cuja reputação continuou crescendo e ultrapassou o resultado comercial de seu lançamento.







