Humberto Gessinger atribui a identidade dos Engenheiros do Hawaii menos às referências externas do que às limitações assumidas pela banda. Para ele, a escolha de trabalhar como trio ajudou a definir o caminho do grupo, sem reproduzir o som de formações clássicas do rock pesado.
A banda surgiu em 1985, quando grupos brasileiros costumavam reunir muitos integrantes. Gessinger contou que montar um trio era uma maneira de aceitar uma sonoridade mais crua. Ao mesmo tempo, ele se afastou do modelo associado a Cream e Jimi Hendrix Experience: escreveu poucas músicas baseadas em riffs e não quis manter um som pesado o tempo todo.
O resultado foi descrito pelo músico como um trio mais arejado, com uma herança progressiva presente desde a adolescência. Em conversa com o canal Paranoid, ele também afirmou que as limitações de instrumentos acabaram se transformando em uma marca dos Engenheiros do Hawaii.
Referências que não são cópias sonoras
Gessinger rejeitou a associação musical com o Rush, que acompanha a banda gaúcha desde o início. Embora cite o grupo canadense com frequência, ele disse que o interesse está na decisão de explorar as possibilidades de uma formação reduzida e no desempenho de Geddy Lee, considerado por ele extraordinário.
“Eu só sei contar até quatro”, declarou Gessinger, ao explicar a distância entre sua composição e a complexidade que enxerga no Rush. O músico disse ainda que seria uma pretensão afirmar semelhança com integrantes tão proficientes nos instrumentos.
Thin Lizzy e Supertramp aparecem no mesmo campo de referências conceituais. No caso do Thin Lizzy, a admiração passa por Phil Lynott como letrista. Gessinger relatou ter lido a biografia do músico e refletido sobre o que significava ser um homem negro na Grã-Bretanha dos anos 60. Para ele, essa trajetória ajuda a compreender a referência mais do que o uso de guitarras gêmeas.







