Para Humberto Gessinger, o Supertramp não é uma referência por causa de um som que apareça diretamente nos Engenheiros do Hawaii. O interesse do músico pela banda está na maneira como as partes são organizadas e ganham sentido juntas.
Em conversa com o canal Paranoid, Gessinger colocou Supertramp, Rush e Thin Lizzy em uma lista de três referências conceituais. Ele fez questão de separar essa influência da sonoridade dos Engenheiros do Hawaii: nenhuma das três bandas, segundo o músico, se manifesta diretamente no som do grupo.
O ponto central, no caso do Supertramp, é o arranjo. Gessinger citou a dinâmica, a forma como os elementos entram e saem das músicas e até o modo de tocar guitarra. As letras e melodias também foram reconhecidas por ele, mas não são o principal motivo de sua admiração. “O arranjo é o lance mais legal do Supertramp, mais do que a coisa musical”, afirmou.
Uma referência difícil de explicar
A dificuldade aparece nos ensaios, especialmente quando há mudança na formação. Gessinger contou que, ao mencionar o Supertramp, costuma ser interpretado de maneira literal pelos músicos: a banda vira cantar em falsete, enquanto Rush é reduzido à execução de compassos complexos. Para ele, essas associações deixam de lado o aspecto estrutural que realmente importa.
O músico recorreu a uma análise de Beethoven feita por um maestro para explicar a ideia. Na avaliação, melodia, harmonia e orquestração, examinadas separadamente, não eram boas. Quando reunidas, porém, funcionavam. É esse resultado do conjunto que Gessinger identifica no Supertramp.
Essa visão também influencia sua relação com o palco. Ele disse gostar de ensaiar, mesmo quando decide não seguir o ensaiado durante o show. As mudanças ao vivo acontecem sobretudo nas letras. Com uma banda fixa, essa liberdade é mais simples; ao tocar com músicos envolvidos em vários trabalhos, precisa ser contida.







