Meher Baba morreu em janeiro de 1969, poucos meses antes de o The Who lançar Tommy. O mestre espiritual indiano havia adotado o silêncio em 1925 e permaneceu sem falar até o fim da vida. Mesmo sem ter encontrado Baba pessoalmente, Pete Townshend registrou o nome dele nos créditos do álbum com uma indicação incomum: “Avatar: Meher Baba”.
A menção não correspondia a uma função musical ou técnica. Ela apontava para a influência exercida por Baba sobre o guitarrista, que conheceu seus ensinamentos em 1967, apresentado pelo artista Mike McInnerney. Mais tarde, McInnerney faria a arte de Tommy.
Uma busca transformada em narrativa
Townshend passou a observar suas próprias composições por uma perspectiva espiritual. O site oficial do músico descreve esse interesse como uma força central em sua produção entre o fim dos anos 1960 e a década seguinte.
Essa inquietação entrou na história de Tommy, centrada em um garoto surdo, mudo e cego que atravessa uma jornada de descoberta e termina transformado em uma figura quase messiânica. Anos depois, Townshend afirmou que o aspecto espiritual era “toda a motivação” para escrever a obra.
A intenção, porém, não era fazer do disco um instrumento de conversão. Townshend explicou que o álbum não foi concebido para divulgar os ensinamentos de Baba, mas para refletir as buscas espirituais daquele período pós-psicodélico. Nesse contexto, a escolha para o encarte foi manter a referência de forma discreta, acrescentando apenas a palavra “Avatar” ao nome do mestre.
A ligação continuou depois de Tommy. Dois anos depois, Meher Baba apareceu de maneira mais conhecida no título de “Baba O'Riley”, composição cujo nome combina a referência ao mestre com o compositor minimalista Terry Riley. Townshend também gravou trabalhos devocionais ligados a Baba e levou esse interesse para parte de sua produção solo.
O crédito não indica que Meher Baba tenha participado da gravação. Ele funciona como registro da origem espiritual de muitas das perguntas que Townshend tentava desenvolver em Tommy.







