Pete Townshend apontou uma contradição entre a estética do Kiss e a maneira como entendia o rock. Em entrevista concedida em 2014 ao Something Else, o guitarrista do The Who criticou o uso de maquiagem, personagens, figurinos e teatralidade pelo grupo.
Para Townshend, a identidade do Kiss estava associada a referências como Las Vegas e Mardi Gras. Ele considerava a banda um fenômeno essencialmente americano e afirmou: “Uma coisa que o Kiss absolutamente não é, em nenhum sentido, é europeu ou inglês”.
Uma crítica aos personagens
A avaliação do músico também envolvia a adoção de disfarces para esconder as identidades dos integrantes. Ao recordar os primeiros anos do Kiss, Townshend descreveu o conjunto da performance como “uma espécie de paródia do rock”.
Na visão dele, uma banda com aquela combinação visual dificilmente teria surgido da mesma forma no Reino Unido. Caso aparecesse em outro ponto da Europa, imaginava que a música seria diferente.
A proposta do Kiss era construída a partir da união entre palco e música. Gene Simmons e Paul Stanley lideraram uma formação que usava figurinos, maquiagem, explosões e personagens para ampliar a experiência do público. Essa combinação ajudou o grupo a se destacar rapidamente no mercado americano dos anos 1970.
A influência do The Who
A crítica de Townshend carregava uma ironia: o próprio The Who influenciou o tipo de espetáculo levado adiante pelo Kiss. Gene Simmons já mencionou a destruição de guitarras promovida por Townshend como uma lição de presença de palco e teatralidade.
O Kiss, porém, levou esses elementos mais longe, transformando a performance em parte central de sua identidade. Townshend não pareceu aceitar essa relação como um elogio. Para ele, o grupo convertia em personagens e espetáculo algo que preferia ver no rock de maneira mais direta e autêntica.







