A admiração de Paul Weller pelo The Who não o impediu de construir uma trajetória própria. Mesmo com referências à banda de Pete Townshend, o líder do The Jam não se limitou a repetir esse legado: depois do fim do grupo, avançou em outra direção com o Style Council e a carreira solo.
Townshend reconhecia essa ligação entre as duas bandas. O The Jam carregava uma herança mod, cultura que também teve o The Who entre seus nomes centrais nos anos 1960. Ainda assim, o músico não considerava o grupo de Weller uma continuação automática de sua própria banda.
Respeito sem entusiasmo
Em conversa com a Rolling Stone, Townshend resumiu sua avaliação: “Não há muita música de que eu não goste, mas eu não gosto da deles”. A ressalva não anulava o reconhecimento ao trabalho do The Jam. Ele dizia apreciar a imagem que o grupo tentava transmitir e seu comprometimento, embora achasse que a proposta ficava aquém em algum ponto.
A crítica também passava pelo humor. Townshend retomou uma observação de seu assessor de imprensa: “O The Jam não tem senso de humor.” Para ele, essa era a ausência central na banda.
Isso não representava desprezo por Weller. Townshend identificava seriedade e dedicação no grupo, além de perceber a influência do The Who desde os primeiros discos. A questão, porém, permanecia subjetiva: a música do The Jam não o prendia completamente.
Weller, por sua vez, admirava o The Who e músicas como “So Sad About Us”, mas não assumiu o papel de discípulo. Sua trajetória posterior reforçou essa escolha. A relação entre os músicos acabou marcada por reconhecimento e distância: Townshend entendia o que o The Jam pretendia fazer, mas não encontrava ali o suficiente para transformar respeito em entusiasmo.







