A presença de jovens nos shows e o surgimento de uma nova geração levaram Digão e Jean Moura a discutir o momento do rock. Em conversa no Lado A Podcast, os músicos dos Raimundos falaram sobre bandas novas, a relação do público adolescente com os palcos e o que esperam de um artista.
Moura, baixista do grupo, afirmou que circula mais pelo underground, conhece muitos nomes recentes e percebe o rock em alta. Ele também mencionou escolas de música que formam novos músicos. Na avaliação dele, os adolescentes que hoje ficam na grade dos shows, acompanhados pelos pais, estão vivendo os próprios anos 1990.
Digão concordou que há um movimento acontecendo. Como exemplo, citou um festival de Santa Bárbara d'Oeste, no interior paulista, que teria reunido cerca de 30 mil pessoas por dia durante três dias, com presença expressiva de jovens. Os dois também lembraram vídeos de crianças tocando músicas dos Raimundos que viralizaram nas redes.
A cobrança por personalidade
A conversa passou ainda pela diferença entre as bandas brasileiras dos anos 1990. Digão citou Planet Hemp, Chico Science, Pato Fu, O Rappa, Skank e Charlie Brown Jr. como grupos com identidades distintas. Para ele, as ramificações do rock fizeram com que muitos artistas atuais soassem parecidos.
“O que eu acho mais importante para uma banda é ela ter uma personalidade dela”, afirmou o vocalista.
Nesse contexto, Digão contou que ouviu três músicas de Yungblud antes de interromper a apresentação. O cantor havia sido apresentado no podcast como uma nova promessa do rock. O músico dos Raimundos disse que o show chamou sua atenção no começo pelo impacto visual, mas perdeu força depois.
Digão também reconheceu que não costuma procurar novidades na internet. Para ele, um artista precisa despertar o interesse do público por sua própria capacidade de comunicação, até ser notado sem que o ouvinte tenha de fazer uma busca ativa. “Tá rolando uma cena, tá rolando uma coisa no rock aí”, disse.







