Jack Black encontrou em Bobby McFerrin uma referência musical tão forte quanto o hard rock que marcou sua trajetória com o Tenacious D. Em entrevista ao programa Fresh Air, ele contou que seus gostos eram divididos entre o peso do Van Halen e o jazz vocal de McFerrin.
“Eu tinha dois lados. Era o yin e yang dos meus gostos musicais”, explicou Black. Para ele, essa combinação ajudou a formar uma maneira própria de cantar, unindo a potência do rock à liberdade do scat jazz.
A admiração pelo cantor de “Don’t Worry, Be Happy” começou antes do sucesso mundial dessa música. Black se interessava pela capacidade de McFerrin de criar, com a voz, sons que lembravam instrumentos, linhas melódicas e ritmos. Também destacava suas interpretações de músicas dos Beatles, especialmente “Blackbird”.
A influência não ficava apenas no campo da escuta. Black procurava assistir às apresentações de McFerrin e corria para o palco quando o cantor chamava pessoas da plateia. Em uma dessas ocasiões, participou da performance e começou a bater no próprio peito, imitando o ídolo. McFerrin precisou interromper a cena com um olhar e um gesto.
Anos depois, ao falar sobre sua própria habilidade com o scat, Black voltou a citar o cantor como uma influência decisiva. Seu desejo era se apresentar sozinho, usando a voz como se fosse uma banda inteira. “É por isso que eu e Kyle tivemos que unir forças”, afirmou, antes de dizer que gostaria de reencarnar como Bobby McFerrin Jr.
A marca dessa admiração aparece na presença vocal de Black e no modo como o Tenacious D transforma exagero, agudos e potência em parte do espetáculo. O sonho de ser um show de um homem só não se realizou, mas a ideia de fazer da voz um instrumento continua presente em seu trabalho.







