Joey Ramone não via a popularidade como inimiga do rock. O que incomodava o vocalista dos Ramones era a aparência de música fabricada para alcançar o sucesso — uma diferença que ele fazia ao falar de bandas e artistas dos anos 1980.
Em entrevista concedida no Japão em 1988 e publicada pelo The Tapes Archive, Joey comparou o cenário daquele período com os anos 60. Na visão dele, os artistas daquela década tinham identidades mais próprias. Ao comentar a música de seu tempo, citou White Lion, Poison e Bon Jovi como exemplos de um modelo repetido: “Hoje não é nada parecido com aquilo. Todo mundo é tipo White Lion, Poison e Bon Jovi, e toda essa merda, em grande parte.”
O que ele entendia por punk
Questionado sobre o que considerava problemático nessas bandas, Joey respondeu: “Não há nada inteligente. Não há nada empolgante. Não há nada único nisso.” Para ele, o rock havia deixado para trás parte da rebeldia que o tornava especial.
Na mesma conversa, também reproduzida na Far Out, o músico definiu o punk como a recusa em seguir padrões, a decisão de não ser igual aos outros e a disposição de manter princípios próprios mesmo diante das regras. Por esse critério, considerava punks nomes como Elvis Presley, Jim Morrison e Iggy Pop.
A crítica ao rock oitentista já havia aparecido quatro anos antes, quando Joey foi perguntado sobre bandas como Duran Duran. Na ocasião, classificou aquele cenário como “besteira”, “lixo” e “música de elevador”. Apesar disso, enxergava a MTV com algum otimismo, por acreditar que o canal poderia aproximar musicalmente diferentes regiões dos Estados Unidos.
Joey também dizia que os Ramones eram comerciais “sem tentar ser comerciais”. Entre os artistas que admirava, mencionava David Byrne e David Bowie, vistos por ele como figuras únicas. White Lion, Poison e Bon Jovi, portanto, representavam menos um problema de popularidade do que a fórmula que, a seus ouvidos, contrariava o espírito punk.







