Aos 15 anos, Lobão decidiu enfrentar a resistência da mãe à carreira musical. Ele havia sido aprovado em um teste para tocar no Vímana, banda procurada por Lulu Santos, mas ouviu mais uma vez que não poderia seguir. Desta vez, insistiu e recorreu à produção de Nelson Motta para conseguir autorização judicial.
O músico contou a história em entrevista ao canal Garotas do Rock, ao relembrar a formação como baterista e os conflitos familiares provocados por sua escolha profissional. Nelson Motta foi ao Juizado de Menores e acabou se tornando tutor de Lobão. Com a autorização, o adolescente participou da temporada teatral de Marília Pêra.
Convites interrompidos
Antes disso, o baterista já havia recebido oportunidades que não se concretizaram. Aos 13 anos, foi escolhido para tocar com Raul Seixas em uma gravação, mas sua mãe não permitiu. Aos 14, Rick Ferreira o chamou para uma excursão ligada ao segundo disco dos Secos e Molhados, e o veto se repetiu.
Lobão afirmou que a mãe tinha receio do ambiente musical e dos chamados “maconheiros”. Ao lembrar o episódio com Raul, disse: “Eu, com 13 anos, fui escolhido para tocar com o Raul Seixas. Para gravar. A minha mãe não deixou”.
A ligação com a bateria havia começado muito antes. Aos três anos, durante uma festa de carnaval no sítio da família, ele subiu no instrumento montado pelo primo mais velho e tocou marchinhas. Depois, ganhou baquetas da avó e uma bateria aos cinco anos. Aos sete, recebeu o primeiro violão da mãe.
Na adolescência, passava horas praticando, em vez de sair de casa. Segundo o músico, aos 13 e 14 anos já tocava muito bem. A rotina de estudos e o talento chamaram atenção, mas a relação com a família se deteriorou.
Lobão relatou que foi expulso de casa e deserdado por causa da música e das amizades desse meio. O período coincidiu com a separação dos pais. Ao recordar aquela fase, afirmou: “Tudo que era muito sólido até meus 18 anos caiu todo assim. E eu virei um cara homeless, sabe? Solto”, disse.







