Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Dalmo Medeiros atribui pouco alcance do Céu da Boca à força do rock brasileiro

Atual primeira voz do MPB4, o cantor relembrou a trajetória do grupo vocal e os trabalhos feitos em estúdio para outros artistas.

O cantor Dalmo Medeiros, atual primeira voz do MPB4, relaciona o alcance limitado do grupo vocal Céu da Boca à ascensão do rock brasileiro em meados dos anos 1980. A avaliação foi feita em entrevista ao podcast Corredor 5, durante um relato sobre sua trajetória musical.

"O Céu da Boca era um grupo que eu acho que só não fez mais sucesso porque no meio dos anos 80 as gravadoras viraram pro rock", afirmou Medeiros. Naquele período, bandas como Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Kid Abelha e Biquíni passaram a ocupar espaço nas gravadoras e no mercado musical.

Do coral ao trabalho em estúdio

Formado na escola de música Pró-Arte, o Céu da Boca nasceu de uma separação no coral regido por Joaquim Moraes. O grupo inicial reunia doze cantores, seis homens e seis mulheres, sob o nome Desbundetes. Depois, a formação passou a ter dez integrantes e adotou o nome que ficaria conhecido.

O primeiro disco foi independente, quase todo a capela, e teve produção de João Mário, que também trabalhava com o Boca Livre. Ao todo, o grupo gravou dois discos antes de encontrar dificuldades para entrar nas prioridades das gravadoras.

Sem uma presença ampla entre o público, o Céu da Boca passou a atuar como grupo vocal de estúdio. Os cantores gravaram com Ivan Lins e Joyce, participaram de "O Grande Circo Místico", de Edu Lobo e Chico Buarque, e dividiram um bloco vocal com o Roupa Nova em um disco de Elba Ramalho.

Medeiros também contou que a remuneração por período de gravação permitia novos pagamentos a cada dobra de voz sobre a própria faixa. Em um disco instrumental de César Camargo Mariano, registrado no lugar de um álbum que seria de Elis Regina, o grupo passou quase um mês em estúdio. O dinheiro recebido foi usado pelo cantor na reforma de uma casa em Botafogo.

Da Bahia à carreira solo

Depois, Salvador se tornou a base de Medeiros por 13 anos. Nesse período, ele afirma ter participado de cerca de 400 discos, incluindo trabalhos com jingles políticos, axé e artistas locais.

A carreira de compositor ganhou impulso quando nove músicas suas foram incluídas em um carnaval e Elba Ramalho escolheu um frevo para abrir um álbum. Medeiros assinou contrato de exclusividade com a BMG e comprou um apartamento com o adiantamento.

O rock voltou a aparecer em sua trajetória no primeiro disco solo, lançado no fim do ano passado e financiado por campanha coletiva. Serginho Vulcanes, do Hanói-Hanói, toca guitarra nas faixas "Proibir Para Quê?" e "A Flor da Pele". O álbum reúne composições inéditas e músicas gravadas anteriormente por outros artistas.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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