Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Erro no estúdio virou a versão final de “Medo”, dos Titãs

Charles Gavin relembrou como a banda concluiu a gravação da faixa durante um apagão na iluminação do estúdio.

Charles Gavin não queria aproveitar a gravação de “Medo”. As guitarras tinham parado antes do combinado, e o baterista considerava aquilo um erro. Nando Reis, porém, ouviu o resultado e defendeu que aquele take deveria entrar no disco dos Titãs. A faixa acabou registrada no álbum lançado em 1989.

Uma música sem arranjo fechado

Em entrevista ao podcast Roll and Talks, Gavin contou que “Medo” era uma das faixas mais difíceis das sessões. A música ainda não tinha um arranjo definido e não avançava. A banda então decidiu tocar ao vivo, com todos os integrantes reunidos na mesma sala.

Durante a execução, Liminha apagou a iluminação do estúdio sem avisar os músicos. A eletricidade não foi cortada: a gravação continuou normalmente, enquanto os integrantes ficaram no escuro. Para Gavin, a decisão fez com que eles parassem de se observar e se concentrassem na escuta.

“A gente tocou ao vivo, todo mundo junto, e num determinado momento você apagou a luz no estúdio”, afirmou o baterista ao produtor, que participava da conversa e não se lembrava do episódio. As guitarras interromperam a execução antes do fim, mas Gavin e Nando Reis continuaram tocando até concluir a música.

Gavin disse que resistiu à ideia de usar o take porque a interrupção das guitarras não estava prevista. Nando Reis argumentou que a situação dialogava com o tema da canção, sobre perder o medo da própria música. O registro foi mantido e entrou no álbum.

A solução adotada em “Medo” contrastou com a de outras faixas das mesmas sessões. “Miséria” recebeu programação de Los Angeles sobre um loop de teclado de Sérgio Britto, além de novas gravações de bateria. Para Gavin, cada música exigia um método: uma poderia usar sample, outra sequenciador e outra a execução conjunta da banda.

O trabalho também contou com o engenheiro americano Brad Gilderman e teve a mixagem realizada no estúdio Nas Nuvens. Depois de ouvir o resultado, Herbert Vianna perguntou a Gavin o que os Paralamas do Sucesso fariam dali em diante. O baterista considera o disco um dos trabalhos de melhor som dos Titãs.

A conversa faz parte do segundo episódio de Liminha no programa. O produtor também falou sobre sua trajetória como multi-instrumentista e ex-baixista dos Mutantes, além de gravações com Gilberto Gil, Daniela Mercury e Chico Science & Nação Zumbi. Atualmente, ele está à frente da Nas Nuvens Music Group.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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