A introdução de “Comida”, dos Titãs, usa o mesmo timbre de sintetizador ouvido em “Sledgehammer”, de Peter Gabriel. A informação foi relembrada por Liminha, produtor da faixa, em entrevista ao podcast Roland Talks. Segundo ele, a frase foi criada a partir de um som do Roland D-50, equipamento que também aparece associado ao timbre citado pelo músico.
A bateria da gravação também nasceu de uma solução eletrônica. Charles Gavin contou que a caixa presente na música foi retirada de um disco de Robert Palmer, reproduzido em uma vitrola no estúdio. Liminha confirmou a lembrança. Como ainda não havia CD disponível para esse tipo de extração, o sample foi obtido diretamente do vinil.
“Você sampleou do vinil. Isso eu me lembro como se fosse agora”, disse Gavin ao produtor. O baterista afirmou ainda que a bateria da faixa foi inteiramente ampliada por recursos eletrônicos. Liminha, por sua vez, explicou que a frase de teclado veio do timbre que os dois haviam escutado em “Sledgehammer”.
Escuta antes da gravação
As referências foram reunidas antes do trabalho em estúdio. Gavin recordou que Liminha voltou de Londres com um case de vinis e que a banda passou cerca de três dias ouvindo música antes de começar a gravar. A intenção era buscar um resultado diferente do que os Titãs já tinham feito e do que era produzido no país naquele período.
Os dois discos dos Titãs produzidos por Liminha no fim dos anos 1980 marcaram a incorporação do sampler ao repertório do grupo, junto de instrumentos tocados e sequenciadores. O produtor relacionou essa fase ao trabalho com o engenheiro Gary Langan, ligado ao Art of Noise, experiência que, segundo ele, o tornou mais meticuloso e consolidou o hábito de insistir em uma faixa até considerá-la pronta.
O interesse de Liminha por equipamentos começou antes, nos tempos dos Mutantes. Ele atribuiu esse hábito às soluções improvisadas por Cláudio César Dias Baptista e resumiu: “Eu acho que eu não sosseguei enquanto eu não tive um estúdio de primeiro mundo”







