Freddie Mercury raramente parecia precisar buscar em outro artista lições sobre voz, palco ou presença. Ainda assim, em meados dos anos 1980, Michael Jackson conseguiu deixá-lo genuinamente impressionado — a ponto de o cantor do Queen admitir que quase não tinha nada a ensinar ao colega mais jovem.
Os dois se aproximaram depois que Jackson passou a frequentar apresentações do Queen em Los Angeles. Ele assistia aos shows no Forum e, com o tempo, começou a conversar com Mercury. A aproximação chegou ao estúdio: os músicos gravaram algumas músicas juntos, mas o material só seria lançado oficialmente muitos anos depois.
Uma diferença de idade que não dizia tudo
Em entrevista de 1984 publicada na Rock Reflections, Mercury comparou as trajetórias dos dois. Jackson tinha 25 anos, enquanto ele estava com 37, mas o americano já acumulava quase o mesmo tempo de carreira. "Meu Deus, ele tem 25 e eu tenho 37, mas está no negócio quase há mais tempo do que eu", disse.
A idade também contrariava a expectativa de Mercury de que um músico mais velho pudesse transmitir alguns truques a alguém no começo da carreira. No caso de Jackson, essa lógica não se aplicava. "Para mim, é meio assustador... Você pensa em alguém de 22 ou 25 anos começando agora e que eu poderia ensinar algumas coisas. Mas não Michael", afirmou.
Jackson havia começado ainda criança com o Jackson 5. Quando chegou aos 25, já tinha atravessado a adolescência, a juventude e o início da vida adulta sob os holofotes. Naquele período, Thriller já havia transformado o cantor em um fenômeno de grandes proporções na indústria musical.
Mercury também contou que uma das faixas gravadas pelos dois poderia ter entrado em Thriller se tivesse sido concluída a tempo. A colaboração não avançou como os músicos imaginavam, mas o encontro revelou o respeito do vocalista do Queen por Jackson, cuja experiência profissional já fazia dele uma exceção entre artistas tão jovens.







