A comparação com os Beatles ajuda a dimensionar o momento vivido pelos Rolling Stones: enquanto “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” era tratado como marco da psicodelia, “Their Satanic Majesties Request” aparecia como uma resposta atrasada. O contraste se acentuou em 1967, depois que os Beatles também abriram caminho na televisão americana para os Stones.
Foi nesse contexto que Mick Jagger explicou por que o grupo deixou de se dedicar ao blues. Em entrevista à revista Rolling Stone em 1968, o vocalista apontou o desconhecimento do público dos Estados Unidos sobre os artistas que haviam criado as canções interpretadas pela banda. Slim Harpo foi o principal exemplo citado.
Jagger afirmou que os fãs não conheciam a origem daquele repertório e que os Stones não pretendiam continuar tocando blues indefinidamente. “Eles nunca souberam nada sobre isso, e é por isso que paramos de tocar blues”, disse o cantor. A intenção, segundo ele, era apresentar outros músicos ao público, não manter a banda presa às mesmas canções.
O repertório do começo
Antes da contracultura e da expansão criativa da década, os Rolling Stones eram uma formação voltada ao blues e ao rhythm and blues, liderada pelo fundador Brian Jones. Entre as primeiras escolhas estavam “Come On”, de Chuck Berry, e “I'm a King Bee”, de Slim Harpo.
A atuação dos ingleses contribuiu para reacender o interesse por mestres americanos, mas Jagger rejeitava a ideia de que o grupo fosse a melhor porta de entrada para aquele repertório. Para ele, não fazia sentido ouvir os Stones em “I'm a King Bee” quando era possível escutar a gravação de Slim Harpo.
A trajetória inicial também teve a influência dos Beatles. O grupo cedeu aos Stones “I Wanna Be Your Man”, música que chegou à 12ª posição nas paradas britânicas. Ainda assim, Jagger questionou a noção de que sua banda tivesse despertado o público para o blues por meio das próprias interpretações.








