Dave Mustaine afirma que uma mensagem privada de James Hetfield teve um peso especial no período em que se preparava para tratar o câncer, diagnosticado em 2019. O contato aconteceu antes do início do tratamento, quando o líder do Megadeth se sentia assustado e vulnerável.
O relato está no livro In My Darkest Hour, que chega às lojas nesta quinta-feira (24). A doença foi descoberta depois de uma consulta de rotina ao dentista, e a publicação acompanha o caminho do guitarrista e vocalista de volta à saúde.
Mustaine também menciona o apoio recebido de Ozzy Osbourne e Paul Stanley, do Kiss. Ao falar sobre Hetfield, antigo companheiro de Metallica, ele reconhece que a relação entre os dois foi marcada por atritos, mas diz que existe uma história compartilhada entre eles. “Ter notícias dele justamente quando eu estava prestes a começar o tratamento, num momento em que eu estava bem para baixo, significou muito para mim”, escreveu.
Presença sem perfeição
O músico afirma que a doença não representou uma trégua entre Megadeth e Metallica, porque o conflito entre as bandas já havia terminado. Para ele, o gesto de Hetfield teve valor por ter sido feito de forma particular, sem buscar reconhecimento público.
A partir da própria experiência, Mustaine aconselha amigos e familiares de pessoas doentes a se aproximarem mesmo quando não sabem exatamente o que dizer. O constrangimento é compreensível, mas não deveria impedir a presença. “Você não pega câncer. E nós perdoamos o seu jeito desajeitado. Apenas esteja lá”, afirmou.
Mustaine também relaciona a doença a uma mudança pessoal. Em 2010, quando lançou seu primeiro livro, diz que ainda era bastante revoltado. Mais tarde, passou a se considerar mais calmo e, depois do câncer, mais grato. Em vez de perguntar por que aquilo acontecia com ele, afirma ter adotado a ideia de que situações ruins acontecem de maneira aleatória e podem atingir qualquer pessoa.








