Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Como Renato Russo mudou o som da Legião Urbana em “Dois”

Para Regis Tadeu, o segundo álbum da Legião Urbana foi resultado de uma decisão consciente de Renato Russo para ampliar o alcance da banda.

Como Renato Russo mudou o som da Legião Urbana em “Dois”
Foto: Reprodução

O segundo álbum da Legião Urbana nasceu de uma mudança planejada por Renato Russo, segundo a análise do jornalista Regis Tadeu. Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, dedicado aos 40 anos de “Dois”, lançado em 1986, ele afirma que a banda deixou a sonoridade pós-punk do disco de estreia para assumir um formato pop folk.

A transformação começou quando Renato interrompeu a composição baseada em guitarra, baixo e bateria e passou a gravar fitas demo ao violão. O material foi apresentado a Dado Villa-Lobos, Renato Rocha e Marcelo Bonfá com uma exigência: o grupo deveria adotar uma nova sonoridade e, com ela, uma nova linguagem.

Para Regis, a decisão tinha um objetivo estratégico. Renato Russo conhecia a história do rock e as estratégias de marketing da música pop acima do padrão do ambiente punk da época. Na avaliação do jornalista, o vocalista entendia que o modelo anterior limitava a banda e não queria fazer carreira apenas com canções de protesto. Seu objetivo era chegar ao topo do mercado brasileiro.

O plano inicial previa um álbum duplo chamado “Mitologia e Intuição”, mas a gravadora vetou a proposta por razões comerciais. A ideia principal, porém, permaneceu: o violão ganhou protagonismo, acompanhado por arranjos associados por Regis a músicas feitas para rodas ao redor de uma fogueira.

Entre a urgência e a poesia

Poucas marcas do primeiro disco teriam permanecido no repertório. Regis cita “Metrópole” e “Fábrica” como faixas próximas da urgência de “Geração Coca-Cola”. Já “Quase Sem Querer”, “Andrea Doria” e “Eduardo e Mônica” levaram a poesia de Renato Russo a estruturas pop e se tornaram hits radiofônicos imediatos.

O jornalista também rejeita a ideia de que “Dois” seja apenas ameno. Ele aponta a tensão de “Daniel na Cova dos Leões”, o tom noturno de “Música Urbana 2” e a desilusão existencial de “Índios”. Para Regis, “Tempo Perdido” concentra essa força e sintetizou a urgência de uma geração, tornando-se um hino da juventude brasileira daqueles anos.

Quatro décadas depois, o legado do álbum aparece, na leitura do jornalista, na combinação entre densidade poética, sofisticação nas composições e alcance popular. Ele também destaca a apresentação visual do disco, praticamente sem capa e em tom ocre, em contraste com o padrão estético da época.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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