Ritchie Blackmore atribuiu sua saída definitiva do Deep Purple, em 1993, à perda de força melódica nas músicas da banda. Em entrevista ao Long Island Weekly, recuperada pela Far Out Magazine durante a divulgação de Nature's Light, álbum do Blackmore's Night, o guitarrista explicou que a melodia é central para seu processo criativo.
Blackmore disse que não se interessa muito por uma abordagem baseada em instrumentos modernos. Para ele, sintetizadores podem aparecer em algumas composições, mas devem servir ao desenvolvimento dos outros instrumentos, e não ocupar o centro da música.
A saída do Deep Purple
O músico afirmou que, na parte final de sua trajetória no Deep Purple, a banda havia chegado a um som com pouca variedade melódica. “A melodia é muito importante para mim”, disse. Blackmore acrescentou que, quando não encontra uma melodia capaz de inspirá-lo, não consegue se identificar com a música.
A avaliação também alcançou o hard rock contemporâneo. O guitarrista afirmou que muitas bandas do gênero não apresentam a presença melódica que ele procura, fazendo uma ressalva ao death metal.
O desconforto com os rumos do grupo começou antes. Blackmore deixou o Deep Purple pela primeira vez em 1975, depois de Stormbringer, álbum que gerou divergências na formação. A canção “Soldier of Fortune”, com acordes de inspiração medieval, foi um dos pontos de tensão. David Coverdale compôs a música com Blackmore, que precisou convencer os demais integrantes a gravá-la.
“Você vai se surpreender com o quanto foi difícil convencer os outros a tocá-la”, relatou o guitarrista. Jon Lord teria aceitado rapidamente, enquanto Ian Paice e Glenn Hughes resistiram à ideia.
Blackmore voltou ao Deep Purple em 1984 e permaneceu até novembro de 1993. Depois, passou por um período curto no Rainbow e, a partir de 1997, dedicou-se ao Blackmore's Night, projeto de música renascentista mantido com Candice Night.







