SÃO PAULO — A despedida do Sepultura será realizada em uma casa de shows fechada na zona sul de São Paulo, depois da transferência do evento que estava previsto para o Pacaembu. O espaço comporta cerca de 9 mil pessoas, enquanto a estimativa inicial era reunir 40 mil pagantes em 7 de novembro de 2026 — uma redução de 70% no público projetado.
A mudança foi analisada em um vídeo do canal Mas isso na minha opinião, que relacionou a nova configuração à diferença entre o peso histórico do grupo e sua capacidade atual de lotar um estádio. Para o canal, o show em uma casa cheia pode ser mais adequado à fase final da banda do que uma apresentação em um espaço amplo com público abaixo da expectativa.
Do impacto histórico ao mercado de shows
O Sepultura surgiu com quatro garotos de Belo Horizonte nos anos 1980, sem internet e sem dinheiro, e desenvolveu uma sonoridade que influenciou o thrash, o groove metal e o nu metal. A trajetória também foi marcada por números expressivos de vendas: “Beneath the Remains”, de 1989, passou de 600 mil cópias; “Arise” superou 1 milhão de unidades; e “Chaos A.D.” e “Roots” ultrapassaram 2 milhões de cópias cada um.
Esses discos renderam certificações e projeção internacional, mas o canal diferencia sucesso fonográfico de capacidade para comandar um estádio. Nas turnês próprias dos anos 1990, o grupo se apresentava em clubes, teatros e auditórios com capacidade entre mil e 4 mil pessoas, cobrando ingressos de 15 a 25 dólares. As plateias de 100 mil espectadores vistas na televisão eram de festivais multinacionais, como Dynamo Open Air e Hollywood Rock. Em algumas arenas americanas, o Sepultura aparecia como atração de abertura.
A análise também compara a despedida com o retorno do Linkin Park ao Allianz Parque. Depois de sete anos de silêncio, a morte de Chester Bennington e a chegada de uma nova vocalista criaram uma sensação de urgência e novidade, e os ingressos acabaram em menos de uma hora. Já a turnê de adeus do Sepultura passou por várias capitais, o que reduziu esse efeito de acontecimento único.
No mercado ao vivo, o vídeo coloca Metallica, Iron Maiden e AC/DC no topo, com capacidade para reunir de 40 mil a 80 mil pagantes. Gojira e Lamb of God aparecem na faixa das arenas, enquanto Testament, Anthrax, Cannibal Corpse e o Sepultura pós-1996 são associados a teatros e casas de show. A Live Nation calcula que o metal represente 13% dos shows de arena e estádio no mundo.
A possível reunião com Max e Igor Cavalera poderia alterar essa escala, mas a negociação não avançou. Andreas Kisser telefonou para Igor por volta de 2024 e recebeu uma recusa, seguida de uma resposta negativa dos representantes de Max. “O Sepultura não merecia tocar num estádio vazio na despedida deles”, concluiu o canal, defendendo uma apresentação em casa cheia e com o público certo.







