SÃO PAULO — O último show da carreira do Sepultura será realizado na Suhai Music Hall, em 7 de novembro, depois que a produção trocou a Mercado Livre Arena Pacaembu, com capacidade para até 40 mil pessoas, por uma casa que comporta pouco mais de 9 mil. A data, os ingressos já comprados e as participações de Krisiun, Sacred Reich e Metal Allegiance estão mantidos.
A produção não informou oficialmente o motivo da mudança. A redução de escala, porém, aponta para uma diferença entre a ambição de realizar a despedida em um estádio e a capacidade de atrair público para esse formato.
Alternativas para a despedida
A banda poderia ter ampliado o caráter de evento do encerramento, reunindo convidados de peso do metal mundial. Entre as possibilidades estariam o Anthrax tocando “Roots Bloody Roots” e Corey Taylor dividindo “Ratamahatta” com o grupo. Um elenco de abertura ainda mais forte também poderia ajudar a preencher um estádio.
Outra escolha discutida é a do repertório. Em apresentações recentes, como no Rock in Rio, o Sepultura anunciou músicas apenas da era Derrick Green. Para uma despedida, uma seleção de clássicos e a participação de ex-integrantes poderiam aproximar o show da fase que conquistou parte do público interessado em lotar o Pacaembu.
A formação atual tem sua própria trajetória, mas muitos fãs foram atraídos pelo período dos anos 1990, quando Max Cavalera estava nos vocais e a banda lançou “Arise”, “Chaos A.D.” e “Roots”. A possibilidade de reunir Max e Iggor Cavalera com Andreas Kisser e Paulo Jr. chegou a ser considerada, mas Max já disse que não pretende participar.
Também pesa o formato da turnê. Como o adeus foi anunciado para várias datas, parte do público já teve a oportunidade de se despedir antes do show final. Uma pausa de pelo menos cinco anos e um eventual retorno poderiam explorar a nostalgia, como fizeram o NX Zero e, de certa forma, os Titãs.
A redução não altera o tamanho histórico do Sepultura, uma banda brasileira com relevância mundial. Uma Suhai Music Hall lotada pode criar uma noite mais intensa do que um estádio com espaços vazios. Ainda assim, a troca de endereço mostra que a despedida foi planejada em uma escala que não se sustentou até o fim.








