CURITIBA — A paisagem urbana da capital paranaense foi organizada, ao longo de décadas, pela combinação entre árvores, parques, transporte coletivo e ocupação do território. O planejamento também incorporou rios e áreas sujeitas a alagamentos, fazendo das áreas verdes parte da infraestrutura da cidade.
A trajetória institucional começou em 1943, com o Plano Agache. Em 1965, foi criado o IPPUC, e o Plano Diretor de 1966 passou a orientar a expansão urbana por eixos lineares. A proposta aproximou regras de ocupação, sistema viário e transporte coletivo, concentrando o crescimento em corredores preparados para receber mais circulação e moradores.
Árvores e parques com função ambiental
O Censo 2022 do IBGE registrou arborização em 85,2% das vias de Curitiba, índice que colocou a cidade na quarta posição entre as capitais brasileiras nesse critério. As árvores contribuem para a sombra, ajudam a diminuir o aquecimento local, retêm parte da chuva e oferecem abrigo à fauna urbana. A distribuição, porém, varia entre os bairros e depende também de manutenção, calçadas adequadas e escolha de espécies.
Em 2026, a cidade tinha 53 parques e bosques implantados e cerca de 68 m² de área verde por habitante, conforme dados divulgados pela prefeitura. Além do lazer, alguns desses espaços ajudam a acomodar temporariamente volumes maiores de água. Barigui, São Lourenço e Tingui utilizam lagos e superfícies permeáveis em áreas relacionadas à drenagem e à preservação de fundos de vale.
Barigui reúne lago, gramados e estruturas associadas à contenção de cheias. Tanguá foi instalado em uma área de antigas pedreiras, enquanto o Jardim Botânico concentra coleções vegetais, jardins e uma estufa. Cada local resulta de condições ambientais, projetos urbanos e usos públicos diferentes.
A integração entre transporte e adensamento ajudou a projetar Curitiba internacionalmente, sobretudo a partir das mudanças iniciadas nos anos 1970. O modelo continua sujeito a ajustes diante de alterações na população, nos deslocamentos, no clima e na ocupação do território.
Árvores e parques não eliminam congestionamentos, desigualdades territoriais, enchentes ou pressões de crescimento. As médias podem esconder diferenças entre bairros, e a qualidade urbana depende da manutenção e da distribuição dos investimentos.







