SÃO BENEDITO — O cultivo de rosas divide espaço com santuários, trilhas, festas e memória intelectual em São Benedito, na Serra da Ibiapaba. A cidade cearense fica a quase 903 metros de altitude, tem neblina pela manhã e temperatura média anual em torno de 21°C — condições que ajudaram a transformar a floricultura em sua principal marca.
A atividade começou no fim da década de 1990, quando o Governo do Ceará buscou uma área adequada para instalar estufas. O Maciço de Baturité chegou a ser considerado, mas o relevo acidentado dificultava a implantação das estruturas. A Ibiapaba foi escolhida por oferecer terreno plano.
A CeaRosa iniciou a produção em 1999. Depois, a Reijers se tornou a maior produtora de rosas de estufa do Brasil e passou a operar a maior unidade concentrada de flores do país. As duas fazendas empregam centenas de pessoas. São Benedito também produz centenas de milhares de rosas por dia e se tornou o maior produtor de morango do Ceará.
Um roteiro entre flores e serra
As estufas de rosas estão entre as atrações que podem receber visitantes, com áreas de cultivo e trechos de mata nativa preservada. O Santuário de Fátima da Serra Grande, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, recebe romarias durante todo o ano.
No calendário cultural, o Festival de Flores costuma ocorrer em setembro, com feira de artesanato, oficinas e apresentações. Em fevereiro, o Benefolia reúne blocos e micareta e é apontado como o maior Carnaval das serras do Ceará.
Na cidade vizinha de Ubajara, o Parque Nacional de Ubajara protege uma das maiores grutas do Nordeste. O local é acessível por teleférico e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ubajara e Viçosa do Ceará ficam a poucos quilômetros de São Benedito.
Frio, filosofia e acesso
As noites podem chegar a 14°C, e a diferença entre as temperaturas favorece um rendimento de cerca de 300 rosas por metro quadrado. A Reijers cultiva dezenas de milhões de hastes por ano e abastece lojas em todo o território nacional.
São Benedito também é lembrada por Raimundo de Farias Brito, nascido em 1862, quando o local ainda era um povoado. O filósofo se formou em Direito no Recife, foi aluno de Tobias Barreto e tem uma estátua na cidade.
O acesso mais comum parte de Fortaleza, a cerca de 360 km, pela BR-222 até Tianguá e, depois, pela CE-187, conhecida como Rodovia da Confiança. A subida da serra revela a mudança de paisagem e temperatura, enquanto a neblina marca a chegada ao alto da Ibiapaba.







