SÃO JOÃO DA BARRA — A história de São João da Barra começou ligada ao transporte pelo rio Paraíba do Sul. Como o acesso ao Rio por terra era difícil, a produção de Campos dos Goytacazes seguia em embarcações de fundo chato até o porto local. Açúcar, gado, milho e queijo eram transferidos para navios com destino à Bahia e à capital, movimento que levou o povoado à condição de cidade em 1850, conforme a Prefeitura de São João da Barra.
O rio continua sendo uma das chaves para entender o município, mas não é o único elemento que transforma sua paisagem. Na costa, a areia se desloca entre duas praias próximas: Atafona perde terreno, enquanto Grussaí acumula sedimentos.
A Universidade Federal Fluminense monitorou a linha de costa entre 1954 e 2018 e identificou predominância de erosão em Atafona e processos de acreção em Grussaí. O laboratório de geografia física da universidade mantém oito pontos fixos de acompanhamento entre os dois distritos, no Complexo Deltaico do rio Paraíba do Sul. O curso d’água percorre cerca de 1.150 km por três estados antes de desaguar no oceano.
Um roteiro entre rio, lagoas e mar
A foz do Paraíba do Sul, em Atafona, é um dos pontos para observar o encontro do rio com o Atlântico e a mudança na cor da água. Em Grussaí, a praia que recebe sedimentos tem quiosques e movimento forte no verão.
Outro passeio possível é o Parque Estadual da Lagoa do Açu, com 8.251 hectares de restinga, mangue e áreas alagadas divididos com Campos dos Goytacazes. A visitação é gratuita e há duas trilhas, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
No centro histórico, o Cais do Imperador conserva um antigo atracadouro com piso de blocos de gnaisse em formato de mosaico. A Lagoa Salgada, espelho d’água raso na planície costeira, também aparece entre os atrativos naturais listados pela prefeitura. Já a Reserva Caruara é uma área privada de proteção de restinga no entorno do complexo portuário.
Da bebida ao Porto do Açu
Em 1908, nasceu no município a indústria de bebidas que criou o Conhaque de Alcatrão. Mais tarde, o produto recebeu o nome da cidade e passou a ser conhecido no país. A fabricação ocorre em um prédio de 1915, às margens do rio.
A relação com a navegação ganhou outra dimensão com o Porto do Açu, que começou a operar em outubro de 2014. O complexo reúne dois terminais, um em terra e outro em mar aberto, com cerca de 17 km de cais para receber navios de grande calado.
A retroárea tem 90 km², equivalente a cerca de um quinto do território municipal, e abriga fábricas, bases de apoio a plataformas e serviços logísticos ligados ao petróleo produzido na bacia vizinha.
Na planície costeira do norte fluminense, o verão é quente e chuvoso, enquanto o inverno é seco e ameno. O vento nordeste sopra quase o ano inteiro e ajuda a movimentar a areia da orla. As condições variam de um ano para outro, e a previsão atualizada pode ser consultada no Climatempo.







