A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu temporariamente os testes de radares que calculam a velocidade média dos veículos. A agência informou que a interrupção será usada para fazer ajustes na sinalização e na comunicação com os usuários das rodovias.
Os experimentos haviam sido anunciados dez dias antes e estavam autorizados em rodovias sob concessão privada de oito estados. Não havia trecho previsto em São Paulo. Um dos pontos escolhidos ficava na ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro, em uma extensão de aproximadamente nove quilômetros no sentido Rio de Janeiro.
As autorizações foram emitidas pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod) e publicadas no Diário Oficial da União do último dia 11. Quando forem realizados, os testes deverão ocorrer em condições reais de operação. A avaliação vai considerar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos e o comportamento dos motoristas.
Durante essa etapa, não haveria multa para quem fosse flagrado acima da velocidade permitida. O prazo previsto para os testes era de 180 dias. A medição busca combater o chamado efeito canguru, situação em que o motorista diminui a velocidade apenas ao passar por um radar e acelera logo depois.
Debate antigo no país
A fiscalização por velocidade média é usada em países europeus como Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido. No Brasil, o tema está em discussão desde 2015: pelo menos quatro projetos foram apresentados na Câmara dos Deputados, mas nenhum alterou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
O projeto mais recente incluiu a velocidade média em uma proposta de segurança viária, que tramita há cerca de dois anos e ainda não tem previsão de votação.
Em 2017, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) testou o modelo na cidade de São Paulo, durante a gestão João Doria. A medição ocorreu nas avenidas 23 de Maio, Jacu-Pêssego e dos Bandeirantes, além da marginal Tietê. No primeiro mês, 230 mil veículos foram flagrados acima da velocidade e seus responsáveis receberam notificações educativas.








