Rodovias federais concentram alerta
Entre janeiro e julho de 2026, sinistros envolvendo caminhões nas rodovias federais deixaram 1.681 mortos e 11.243 feridos em 10.822 ocorrências, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os três indicadores cresceram na comparação com o mesmo período de 2025.
Os números aparecem enquanto o Brasil tenta cumprir o compromisso de reduzir em pelo menos 50% as mortes e lesões no trânsito até 2030. A meta integra a Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2021–2030, iniciativa anunciada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2020.
No país, o objetivo está previsto no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans). Estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o plano determina uma redução mínima de 50% no índice nacional de mortes por grupo de habitantes, tomando como referência o índice de 2020.
Frota mais velha e inspeção pendente
O Relatório da Frota Circulante 2026, do Sindipeças/Abipeças, aponta que a idade média dos veículos brasileiros, sem contar as motocicletas, era de aproximadamente 11 anos em 2025. Entre os veículos leves, a média chegava a 11,1 anos; entre os pesados, a aproximadamente 12,1 anos.
O levantamento indica ainda que 52,6% da frota de veículos leves e 60,2% da frota de veículos pesados tinham mais de dez anos. Para Daniel Bassoli, diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive), a prevenção também depende da avaliação das condições dos veículos em circulação.
A Inspeção Técnica Veicular (ITV) periódica está prevista desde 1997, no artigo 104 do CTB, mas ainda não entrou em vigor. A regulamentação nacional foi estabelecida pela Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) 716/2017 e suspensa por tempo indeterminado no ano seguinte.
“Quando falamos em prevenção, não podemos olhar apenas para quem está dirigindo”, afirma Bassoli. Ele cita freios, pneus, direção, iluminação e alterações de características como elementos ligados à segurança viária.
Dados para orientar as políticas
A Fenive integra a Câmara Temática de Gestão e Coordenação do Pnatrans, vinculada ao Contran, como representante da sociedade civil organizada. Bassoli defende que campanhas de educação e conscientização sejam acompanhadas por políticas públicas permanentes, fiscalização, segurança veicular, integração das bases de dados e avaliação dos resultados.
Hoje, ainda não existe uma base nacional consolidada e atualizada reunindo informações sobre sinistros, mortos e feridos em rodovias federais e estaduais e em vias urbanas. PRF, segurança pública e saúde mantêm bases com períodos diferentes de consolidação e divulgação.
Para o diretor, a integração permitiria identificar grupos de risco, circunstâncias dos sinistros e impactos sociais e econômicos da violência viária. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) defende uma abordagem de sistema seguro, que envolve gestão institucional, infraestrutura e mobilidade seguras, veículos e usuários mais seguros e resposta após os sinistros.
Na Semana Nacional de Trânsito, realizada de 18 a 25 de setembro, a Fenive reforça que a redução das mortes exige ações permanentes. “Metas sem medição viram promessa”, diz Bassoli, que também pede indicadores públicos por Estado, prazos e responsáveis definidos.







