Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ato na Paulista exibe símbolos de Trump, enquanto Flávio evita citar Vorcaro

Manifestação de 7 de Setembro concentrou críticas a Alexandre de Moraes e pedidos de maioria de direita no Senado.

7 de setembro na Paulista: Flávio tenta se descolar de Vorcaro em ato com símbolos dos EUA e manifestantes pedindo intervenção de Trump

A manifestação de 7 de Setembro na Avenida Paulista reuniu bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, referências a Donald Trump e ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. No palanque, porém, os principais nomes da extrema direita evitaram defender publicamente a interferência norte-americana nas eleições brasileiras — e Flávio Bolsonaro não mencionou Daniel Vorcaro, empresário com quem manteve uma relação direta.

O cenário do ato incluiu um boneco gigante de Trump, cartazes em inglês, bonés com as frases “Trump 2028” e “Make America Great Again”, além de um manifestante fantasiado de Elvis Presley. Parte do público pediu que o presidente dos Estados Unidos acompanhasse o processo eleitoral brasileiro e defendeu uma intervenção estrangeira.

A grande bandeira dos Estados Unidos vista na Paulista no ato bolsonarista de 7 de Setembro de 2025 não apareceu desta vez. A mudança ocorreu em meio à disputa eleitoral e ao debate sobre ingerência externa. Pesquisa Datafolha divulgada em agosto apontou que 50% dos brasileiros viam possibilidade de interferência estrangeira nas eleições. Para 32%, isso seria um problema; 18% não consideravam a hipótese problemática.

Moraes vira alvo central dos discursos

Alexandre de Moraes foi o nome mais citado pelos oradores. As revelações sobre suas relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foram usadas para defender o afastamento ou o impeachment do ministro e a eleição de uma maioria de direita no Senado.

Flávio, que chamava Vorcaro de irmãozão enquanto pedia dinheiro ao banqueiro, afirmou: “Esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar”. O candidato à Presidência também disse que, se eleito, escolherá para o Supremo ministros contrários ao aborto, às drogas e ao que definiu como “ideologia de gênero nas escolas”.

Ele comparou a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado a uma segunda facada, numa alusão ao atentado sofrido pelo pai em 2018. Flávio afirmou ainda que os adversários planejariam uma nova interferência nas eleições, mas não apresentou provas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, adotou uma abordagem menos agressiva e cobrou uma reação do Senado. A Casa é responsável constitucionalmente por analisar eventuais pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Tarcísio também defendeu a eleição de parlamentares de direita.

Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu a saída de Moraes, disse que os bolsonaristas tirariam o “sorrisinho debochado” do rosto do ministro e afirmou que o lugar dele seria a cadeia. O deputado prometeu realizar um ato em frente à casa de Davi Alcolumbre para defender o impeachment.

Silas Malafaia chamou Moraes de “ditador da toga” e pediu que o presidente do STF afastasse o ministro. Ao mesmo tempo, disse que a mobilização não buscava desmoralizar a Corte. Em outro trecho, declarou que era preciso “detonar esse cara”.

Malafaia também atacou o Banco Master e citou conversas entre Vorcaro e Moraes. O discurso não abordou as relações de aliados presentes na Paulista com o empresário. Nikolas trocou mensagens com Vorcaro e pediu auxílio para resolver uma questão relacionada a um ativo minerário de um conhecido. O deputado nega ter recebido dinheiro dele.

Tarcísio recebeu, em 2022, R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e maior doador individual de sua campanha ao governo de São Paulo. O governador nega favorecimento, afirma nunca ter falado com Vorcaro ou Zettel e classificou a acusação como algo que “beira o ridículo”.

Mudança no discurso sobre Trump

A presença de símbolos norte-americanos na avenida contrastou com o cuidado dos políticos no microfone e com declarações anteriores de Flávio. Em julho de 2025, depois que Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o senador agradeceu ao presidente norte-americano nas redes sociais e compartilhou uma mensagem de Eduardo Bolsonaro que fazia o mesmo.

No fim de agosto deste ano, durante sabatina ao Jornal Nacional, Flávio afirmou que Eduardo havia errado ao agradecer pelas tarifas. A própria publicação de 2025, na qual ele também havia agradecido, voltou a circular.

Flávio reconheceu que as sanções poderiam prejudicar sua candidatura. Em julho, enviou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) um pedido para que uma nova tarifa de 25% contra o Brasil não fosse aplicada antes das eleições. Para o senador, a medida poderia ser interpretada como tentativa de influenciar o pleito.

Em Brasília, Luiz Inácio Lula da Silva colocou a soberania nacional no centro das comemorações oficiais. Em pronunciamento na véspera, o presidente disse que o Brasil não deveria “baixar a cabeça diante de potências estrangeiras” e que o país “não será colônia de ninguém”.

Lula associou soberania ao controle sobre riquezas como terras raras, petróleo e água doce. Também defendeu o uso de minerais críticos e outros recursos estratégicos para desenvolver tecnologia e gerar empregos no país.

O desfile na Esplanada dos Ministérios teve como lema “Soberania: a força que une o Brasil”. A cerimônia incluiu blindados, mísseis, embarcações e aeronaves, além de máquinas da agricultura familiar, estoques públicos de alimentos, vacinação, educação, proteção ambiental e defesa de recursos naturais. Cerca de 4 mil civis e militares participaram.

O evento também abordou a violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Nas arquibancadas, houve gritos pelo fim da escala 6×1, apoio a Lula e oposição à anistia dos envolvidos nos atos golpistas. Participaram da cerimônia Hugo Motta, Davi Alcolumbre e Edson Fachin, presidentes da Câmara, do Senado e do STF, respectivamente.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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