A campanha de Mateus Simões (PSD) ao governo de Minas Gerais passou a atribuir parte das dificuldades da candidatura ao desempenho da empreitada presidencial de Romeu Zema (Novo). Entre aliados, a avaliação é que o governador deixou de ser o ativo eleitoral que o grupo esperava ter nesta disputa.
A análise, porém, vai além da campanha nacional de Zema. O entorno de Simões também questiona a estratégia de comunicação adotada pelo governo durante a gestão do NOVO. A leitura é que faltou uma presença sistemática em rádio e televisão para apresentar realizações, programas e resultados da administração.
Comunicação e legado
Na avaliação dos aliados, o governo apostou principalmente nas redes sociais, na exposição de Zema e em uma comunicação mais enxuta, alinhada à imagem de austeridade cultivada pelo partido. Essa escolha teria ampliado a distância entre o que a administração considera ter realizado e aquilo que o eleitor reconhece como legado.
A dificuldade aparece na reta final da eleição. Simões precisa defender um governo do qual participou e que pretende representar, mas encontra obstáculos para transformar esse legado em voto. A tarefa se torna mais difícil porque o candidato à sucessão não tem, por si só, uma imagem suficientemente conhecida para ocupar o espaço deixado pelo governador.
Para o grupo, a situação cria uma contradição: Simões precisa sustentar a continuidade do governo Zema e, ao mesmo tempo, se afastar das limitações da estratégia de comunicação adotada até aqui. Também precisa se apresentar como representante desse projeto sem parecer apenas um substituto.
Esse movimento ocorre enquanto Zema está envolvido em uma disputa nacional que não alcançou a dimensão esperada pela campanha. Com isso, o principal cabo eleitoral de Simões não entregou o impulso que os aliados imaginavam, e o candidato enfrenta o desafio de fazer o eleitor reconhecer um legado que, segundo a própria campanha, foi pouco apresentado em rádio e televisão.







