Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Reserva em Aruanã tinha 191 cabeças de gado em área sob embargo, diz Ibama

MPF denuncia três pessoas e pede mais de R$ 2 milhões para reparar danos ambientais na Reserva Extrativista Lago do Cedro.

Reserva em Aruanã tinha 191 cabeças de gado em área sob embargo, diz Ibama

Uma vistoria do Ibama encontrou 191 cabeças de gado em 68,662 hectares sob embargo na Fazenda Aricá, dentro da Reserva Extrativista Lago do Cedro. A fiscalização ocorreu em agosto de 2025 e, segundo o Ministério Público Federal (MPF), a manutenção da pastagem e da criação de gado dificultou a recuperação da vegetação nativa.

O MPF denunciou três pessoas por crimes ambientais relacionados ao imóvel, localizado em Aruanã, no Vale do Araguaia. O órgão também pediu à Justiça Federal a fixação de pouco mais de R$ 2 milhões como valor mínimo para reparar os danos na reserva extrativista. O cálculo foi elaborado com base em avaliação técnica da Polícia Federal.

Desmatamento e regeneração impedida

Um dos denunciados é apontado como responsável pela retirada, sem autorização ambiental, de 114,55 hectares de vegetação nativa em 2018. Os outros dois assumiram posteriormente a administração da fazenda e são acusados de manter atividades que impediram a regeneração da área.

Laudo pericial da Polícia Federal identificou perda de habitat, redução da biodiversidade e processos erosivos no local protegido. A acusação enquadra a retirada da vegetação como dano direto a uma unidade de conservação, crime previsto na Lei de Crimes Ambientais. A perícia também apontou que o rebanho e a gramínea exótica plantada na região impediram o retorno da vegetação nativa.

Para os dois administradores, o MPF indicou a possibilidade de transação penal, acordo previsto em lei para crimes de menor gravidade. A medida depende da reparação do dano antes da sua formalização. Já para o responsável pelo desmatamento, o órgão pediu condenação por crime ambiental, com pena prevista de reclusão de 1 a 5 anos.

Medidas pedidas à Justiça

Além da indenização, o MPF requer a retirada imediata dos animais da área embargada e a interrupção de atividades que atrapalhem a regeneração da mata. Também pediu a elaboração de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD). A construção existente às margens do lago deverá passar por avaliação dos órgãos ambientais competentes.

Na denúncia, o órgão afirma que a localização da Fazenda Aricá dentro da reserva garante a proteção especial prevista na legislação ambiental. O MPF sustenta ainda que eventual pendência de regularização fundiária ou de desapropriação não elimina a aplicação da Lei de Crimes Ambientais. O entendimento citado é o do Superior Tribunal de Justiça, para quem a demora na desapropriação de imóveis particulares não descaracteriza uma unidade de conservação enquanto ela não for desafetada ou reduzida por lei.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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