Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Paralisação da Caixa trava análises e ameaça pagamentos da construção em Goiás

Construtoras dizem que 3 mil contratos deixam de ser analisados diariamente e preveem interrupção de obras financiadas pelo banco.

Paralisação da Caixa trava análises e ameaça pagamentos da construção em Goiás

A paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal já interrompe a análise de 3 mil contratos por dia, segundo a Federação Nacional das Pequenas Construtoras (Fenapc). A entidade afirma que a suspensão atinge novas contratações, medições, repasses e pagamentos ligados à construção civil.

A greve chegou nesta quarta-feira (23) ao 13º dia e segue por tempo indeterminado. Como a Caixa concentra 68% do mercado de financiamentos imobiliários no Brasil, o presidente da Fenapc, João Victor Ribeiro, afirma que o impacto sobre o setor em Goiás cresce à medida que a paralisação se prolonga.

“Está absolutamente tudo parado. Não há nada funcionando na Caixa”, disse Ribeiro. Ele também estima prejuízos para contratos de aquisição e construção, financiamentos tomados por pessoas físicas e vendas de unidades prontas.

Obras sob risco de interrupção

Dados consolidados pela Caixa indicam que Goiás e o Distrito Federal têm 60 mil unidades com contratos em vigência. Na avaliação da Fenapc, todas podem sofrer algum tipo de prejuízo com a falta de andamento dos processos.

Ribeiro relatou uma reunião com o Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon) e afirmou que as construtoras receberam orientação para interromper, a partir de sexta-feira (25), as obras que dependem de recursos da Caixa.

O fluxo habitual do setor prevê o envio das medições mensais ao banco até o dia 10, com expectativa de pagamento até dia 25. Sem esses repasses, empresas podem enfrentar dificuldades para manter o caixa e honrar compromissos do mês seguinte. Ribeiro afirma que os construtores já buscam adiar pagamentos a fornecedores e renegociar títulos, enquanto a folha com vencimento no dia 1º se aproxima.

Entre os empreendimentos afetados estão obras financiadas pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), criado pelo governo federal para apoiar moradias populares e obras de infraestrutura destinadas a famílias de baixa renda. Novos contratos também estão suspensos. Para Ribeiro, mesmo uma retomada nesta semana exigiria um mês para colocar os processos em dia.

Reivindicações dos trabalhadores

A Fenapc reúne mais de 2 mil empresas por meio de 22 associações no país. Em nota divulgada na terça-feira (22), a entidade reconheceu a legitimidade das reivindicações dos funcionários, mas alertou para atrasos em análises, medições, processos de conformidade, repasses e assinaturas de contratos.

A continuidade da greve está ligada principalmente ao plano de saúde dos empregados. Na última assembleia, a categoria rejeitou, por 59,3% dos votos, a proposta mais recente de acordo coletivo apresentada pela Caixa.

O banco propõe elevar, a partir de 2027, o limite de participação sobre a folha de pagamento usado no custeio do Saúde Caixa. O teto passaria de 6,5% para 9%, com manutenção do pacto intergeracional e do convênio no acordo coletivo. A proposta não prevê cobrança diferente por faixa etária.

Segundo a Caixa, não haverá reajuste nas mensalidades em 2026, e a estatal assumirá o déficit do plano. A partir de 2027, a contribuição do titular seria de 3,7% da remuneração-base, enquanto a mensalidade do dependente direto ficaria em R$ 560.

Para dependentes indiretos, os valores propostos seriam de R$ 660 para filhos de 21 a 24 anos e de R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes. O limite do grupo familiar, formado pelo titular e dependentes diretos, seria de 9%.

A Caixa também propôs reduzir de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consulta em pronto atendimento e manter a isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina. O banco garantiria ainda o reajuste de 4,6% já pago aos demais bancários do país, equivalente a 0,6% acima da inflação do período.

Para os empregados, porém, o custo do plano ainda não atende às expectativas. Eles avaliam que o pagamento do convênio consumiria o reajuste real dos salários.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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