Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, é alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto e aparece em documentos da Polícia Federal como operador financeiro de Daniel Vorcaro na produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A PF associa sua atuação a estruturas offshore nas Bahamas.
A descrição consta de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citado pela PF ao solicitar uma investigação específica sobre o financiamento da produção. No documento, Freixo é apresentado como alguém com experiência na montagem de estruturas financeiras naquele país.
Entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões nas Bahamas, segundo os dados mencionados pela PF. As remessas identificadas até agora para Dark Horse, porém, teriam sido encaminhadas diretamente ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. O relatório do Coaf também relaciona o banqueiro à Mosaic Financial, corretora registrada nas Bahamas, e a outras empresas. A PF suspeita que essa estrutura possa ter sido usada para lavagem de dinheiro de corrupção, entre outros crimes.
Empresa contratada por campanha aparece ligada a fundo nas Bahamas
A campanha de Flávio Bolsonaro declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pagamento de R$ 1,5 milhão à Hanbellseg Serviços e Locações Ltda. A empresa, de Sorocaba, também recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conforme a prestação parcial de contas.
As sócias da Hanbellseg, Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, integram ainda a Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A empresa tinha capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia era o Feyther Investment Fund Ltd., constituído nas Bahamas.
Em novembro de 2025, a Golden aumentou o capital em R$ 3.417.858 com novas quotas subscritas pelo Feyther, incluiu Beatriz e Mariana Carmezin Beldi no quadro societário e mudou a sede para a Rua Vicente Lamarca, 326. No mesmo endereço estão registradas a Hanbellseg e a HB3 Serviços de Terceirização.
Os registros consultados não apontam transferência de dinheiro da campanha para a Golden ou para o Feyther. Eles mostram a conexão societária entre as proprietárias da empresa contratada e a companhia que tem o fundo estrangeiro como principal sócio.
Registros do fundo
A inscrição brasileira do Feyther, de número 19.311.044/0001-60, aparece suspensa pela Receita Federal desde 9 de outubro de 2021, por inconsistência cadastral. O comprovante foi emitido em 23 de setembro de 2026. Mesmo assim, em novembro de 2025, o fundo subscreveu novas quotas da Golden.
O contrato brasileiro informa que o Feyther foi constituído pelas leis das Bahamas e indica endereço em Nassau. Em documento da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, o fundo aparece sob a classificação SFM 004, administrado pela The Winterbotham Trust Company Limited. Na relação de 31 de maio de 2026, o Feyther não consta mais.
O fundo também aparece como administrador da Golden Florida Real Estate LLC, aberta na Flórida em 21 de maio de 2015. Nesse registro, o endereço atribuído ao Feyther fica em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. Os documentos não identificam o beneficiário final do fundo. Nelson Diniz da Costa aparece como procurador do Feyther no Brasil e administrador da Golden.







