Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Rede internacional amplia exposição de Flávio Bolsonaro em plataformas digitais

Perfis ligados a investidores, empresários e estrategistas estrangeiros divulgaram conteúdos pagos sobre as chances eleitorais do senador.

Como atua a rede estrangeira ligada a Donald Trump em favor de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira
Foto: Divulgação Flávio Bolsonaro/Reprodução rede X

Perfis estrangeiros ligados a empresas de mídia, plataformas digitais e estrategistas políticos passaram a divulgar conteúdos pagos sobre as chances de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição brasileira. Entre eles está o Visegrád24, que entrevistou o senador em fevereiro e publicou postagens associando seu desempenho ao mercado de previsões da Polymarket.

Em 20 de setembro, o perfil afirmou no X, para mais de 1 milhão de seguidores, que a possibilidade de vitória de Flávio estava subindo na plataforma. A publicação trazia uma imagem do senador ao lado de Javier Milei e dizia que, caso ele vencesse, quase toda a América do Sul seria governada por conservadores. O post recebeu a identificação “parceria paga”, exibida pelo X quando há compensação ou outro incentivo comercial, mas foi apagado.

A mesma conta havia feito divulgação semelhante em 30 de abril, informando que Flávio aparecia à frente de Lula nas cotações da Polymarket, por 43% a 38%. Em fevereiro, o Visegrád24 também publicou uma entrevista com o senador, que declarou haver no Brasil “um presidente que apoia terroristas”.

A plataforma de previsões

A Polymarket permite que usuários negociem contratos baseados em possíveis resultados de eleições, competições esportivas e outros eventos. Os percentuais exibidos não equivalem a pesquisas de intenção de voto: representam o preço alcançado pelos contratos negociados no mercado.

O acesso à plataforma foi bloqueado no Brasil em abril, porque a empresa não tem autorização para operar no país. Desde junho de 2025, porém, a Polymarket é parceira oficial do X para mercados de previsão.

Em agosto de 2025, o fundo 1789 Capital investiu na empresa. Donald Trump Jr., sócio do fundo, também passou a integrar o conselho consultivo da Polymarket. O valor do aporte foi estimado em dezenas de milhões de dólares.

Registros mostram ainda que a plataforma já pagou criadores de conteúdo para promover seus mercados. Em junho, a empresa afirmou à NPR que retiraria o patrocínio de produtores que divulgassem informações falsas sobre eleições. Matthew Modabber, então diretor de marketing, enviou pelo menos US$ 350 mil a criadores de conteúdo entre 2025 e fevereiro de 2026 usando uma conta pessoal do PayPal.

O selo de parceria paga não identifica quem financiou cada publicação. As regras do X restringem anúncios desse tipo envolvendo conteúdo político e geopolítico, embora prevejam exceções avaliadas pela própria plataforma.

Conexões empresariais

Javier Negre aparece em diferentes pontos dessa rede. O empresário espanhol é vice-presidente da UHN Plus Media Network, registrada na Flórida em novembro de 2025, e dono do La Derecha Diario. A UHN se apresenta no X como uma empresa impulsionada pela Polymarket.

Desde 30 de março, a UHN publicou pelo menos nove posts relacionando Flávio às cotações da plataforma. Em 21 de setembro, uma dessas publicações mencionou que o senador havia alcançado 60,5% no mercado. A empresa também divulgou conteúdo identificado como parceria paga sobre a disputa.

Negre entrevistou Flávio em março, durante a CPAC realizada no Texas, e perguntou sobre o controle do voto e uma possível fraude eleitoral. Em maio de 2025, veículos ligados ao empresário anunciaram uma parceria com o Visegrád24 para lançar a edição em espanhol do perfil. A estrutura principal, em inglês, é mantida pela Intermarium Foundation.

O empresário também participou da organização da Hispanic Prosperity Gala, realizada em fevereiro no clube de Donald Trump na Flórida. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro apresentou Fernando Cerimedo, que recebeu o prêmio de “consultor político do ano”. Eduardo afirmou que pretendia vencer as eleições de outubro com seu irmão Flávio.

Cerimedo é um marqueteiro argentino que difundiu alegações sem provas sobre fraude na eleição brasileira de 2022. Ele foi indiciado pela Polícia Federal em 2024 no núcleo de desinformação de uma investigação sobre tentativa de golpe, mas não foi incluído posteriormente na denúncia da Procuradoria-Geral da República.

O argentino coordenou a comunicação digital da campanha de Javier Milei e trabalhou em campanhas na Bolívia e em Honduras. Em 18 de agosto, foi detido na Bolívia e teve a prisão preventiva decretada. O Ministério Público boliviano o acusa de ser mandante de uma tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller. A defesa nega as acusações.

Tecnologia e financiamento

Cerimedo anunciou em março de 2025 que representaria na América Latina as tecnologias da Campaign Nucleus e da EyesOver. A primeira foi criada por Brad Parscale, ex-chefe da campanha de Donald Trump. As plataformas oferecem ferramentas para acompanhar mudanças de opinião, segmentar públicos e orientar mensagens eleitorais.

Registros oficiais dos Estados Unidos apontam que Campaign Nucleus LLC, EyesOver LLC e Clock Tower X LLC aparecem associadas ao endereço 3745 Medina Road, Unit C, Medina, Ohio, com variações na forma de indicar a unidade. A Clock Tower X foi registrada por Parscale sob a legislação americana de agentes estrangeiros.

Cerimedo nega vínculo com a campanha de Flávio. Ele afirma que sua relação com a UHN Plus, o Visegrád24 e a Polymarket é responsabilidade exclusiva de Javier Negre.

A Intermarium Foundation, entidade americana sem fins lucrativos que mantém o Visegrád24, arrecadou US$ 852.312 em 2024. A DonorsTrust registrou ainda um repasse de US$ 175 mil à fundação para apoiar o perfil. O documento não demonstra que esse valor tenha financiado publicações sobre Flávio.

O que os registros mostram

As conexões entre os envolvidos são documentadas por registros empresariais, declarações fiscais, publicações dos próprios participantes e manifestações públicas. Elas mostram a existência de alianças entre o Visegrád24, empresas ligadas a Negre, a Polymarket e estruturas tecnológicas associadas a Parscale.

Os documentos, porém, não comprovam que todas essas organizações integrem uma única operação coordenada para beneficiar Flávio Bolsonaro. Também não foi localizado contrato entre a rede e a candidatura.

Ainda não está claro quem financiou especificamente as publicações do Visegrád24, quem escolheu Flávio como tema, quem intermediou a entrevista de fevereiro ou se houve relação direta ou indireta entre estruturas estrangeiras e fornecedores da campanha.

A Lei das Eleições permite propaganda paga na internet apenas nas hipóteses previstas para impulsionamento e contratadas por atores autorizados. As regras do TSE vigentes em 2026 também proíbem oferecer vantagem econômica a pessoas físicas ou jurídicas para que publiquem conteúdo político-eleitoral em seus próprios canais.

O X informou ao TSE que manteria proibidos no Brasil os anúncios políticos e de campanha. A campanha de Flávio declarou não ter conhecimento dos anúncios e negou relação formal com Cerimedo. O marqueteiro argentino também rejeita qualquer vínculo com a candidatura.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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