A Polícia Federal quer concentrar em uma estrutura permanente as investigações sobre apostas ilegais, manipulação de resultados esportivos, lavagem de dinheiro com ativos virtuais e recuperação de bens ligados a crimes. A proposta foi formalizada pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública na sexta-feira (25) e aguarda análise do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
O plano foi discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recebeu aval do governo. A reorganização teria impacto financeiro mensal estimado em R$ 44,9 mil. A mudança ocorre no mesmo dia em que Lula assinou uma medida provisória para tornar ilegal a exploração das apostas de quota fixa, conhecidas como bets.
Estrutura prevista
O desenho inclui a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos, vinculada à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção. Dentro dela, funcionaria uma área de inteligência financeira e lavagem de dinheiro, com um serviço dedicado aos crimes praticados com ativos virtuais, como criptomoedas.
Também está prevista uma coordenação voltada à recuperação de ativos. A unidade cuidaria da investigação patrimonial e da gestão, alienação e destinação de bens relacionados a crimes investigados.
O organograma ainda prevê a Divisão de Repressão a Apostas Ilegais e a Divisão de Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos. Somam-se a elas áreas de doutrina e capacitação, apoio administrativo e gestão estratégica. Ao todo, seriam 17 novas unidades administrativas, com o aproveitamento de três estruturas já existentes.
A PF afirma que a concentração das áreas sob uma direção única permitirá integrar inteligência financeira, investigação patrimonial, repressão à lavagem de dinheiro e recuperação de ativos. O objetivo é acelerar a identificação e a localização de bens, além das medidas de retenção, administração e destinação desses patrimônios.
Investigações e bloqueios
Na terça-feira (29), o Ministério da Justiça informou ter solicitado o bloqueio de 5.209 sites de apostas que passaram a operar ilegalmente no país após a medida provisória assinada por Lula. A pasta também declarou que a PF investiga há três anos esquemas ligados a apostas ilegais e manipulação de resultados esportivos.
De março de 2023 a agosto de 2026, a corporação realizou 12 operações relacionadas a essas práticas. As ações levaram à expedição de ao menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão, com investigações em Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito Federal.
No mesmo período, a PF pediu à Justiça o sequestro de R$ 4,17 bilhões em bens e valores. A corporação também integra uma força-tarefa da Interpol dedicada ao combate à manipulação de resultados esportivos.
A proposta de reorganização ocorre depois de a PF criar, em maio deste ano, um grupo temporário para apurar fraudes em apostas, manipulação esportiva e bets ilegais. A duração prevista era de um ano. O novo desenho busca dar caráter duradouro a essa atuação.







