SÃO PAULO — A entrada em operação de equipamentos de fiscalização eletrônica foi acompanhada por uma redução acumulada de 22,5% nos sinistros registrados em locais que já contavam com Faixa Azul para motocicletas. O dado faz parte de um estudo da Perkons baseado exclusivamente em bases públicas e com comparação entre períodos equivalentes de cada ponto analisado.
Nos trechos que haviam registrado sinistros fatais antes da fiscalização, o levantamento identificou redução de aproximadamente 60% no número de mortes. Também não houve novos sinistros fatais em até 600 metros dos equipamentos considerados durante o período analisado.
A empresa ressalta que os resultados indicam associação entre a fiscalização eletrônica e a melhora dos indicadores, mas não permitem afirmar que os radares, isoladamente, tenham provocado as reduções. O estudo é observacional e reconhece que diferentes variáveis podem alterar os resultados ao longo do tempo.
Comparação por local
A análise reuniu registros georreferenciados de sinistros do Infosiga-SP, informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Prefeitura de São Paulo sobre a implantação da Faixa Azul, além de dados públicos sobre a localização e o início da operação dos equipamentos.
Foram considerados sinistros com ao menos uma motocicleta e ocorrências situadas a menos de um quilômetro dos pontos de fiscalização. Para cada local, a equipe adotou períodos de observação simétricos antes e depois da ativação dos radares, levando em conta que as datas de implantação da Faixa Azul e de início da fiscalização variavam.
Antes de avaliar os efeitos associados aos equipamentos, o estudo observou o comportamento dos sinistros depois da implantação da Faixa Azul e antes da fiscalização eletrônica. Nesse intervalo, houve aumento acumulado de 13,02% após um ano. Na comparação posterior, feita nos mesmos locais, os registros caíram 22,5%.
Paulo Cemin, gerente de Suporte Técnico da Perkons e coordenador da equipe técnica, afirma que a metodologia foi estruturada para comparar cada ponto com seu próprio histórico. Ele também destaca que a complexidade do trânsito exige falar em associação, e não em causalidade.
Diferentes avaliações da política
Criada pela CET de São Paulo, a Faixa Azul reorganiza o espaço destinado às motocicletas entre as faixas usadas pelos demais veículos. A política é baseada nos princípios da Visão Zero e do Sistema Seguro.
Em abril de 2026, o segundo relatório consolidado da CET analisou 233,3 quilômetros implantados em 36 vias, distribuídos por 46 trechos. O documento apontou redução de 26,6% na média da taxa de severidade dos sinistros envolvendo motocicletas e informou que a gravidade das ocorrências foi 9,5 vezes menor dentro da Faixa Azul.
Outro levantamento, realizado por um consórcio da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Instituto Cordial, com apoio técnico da Vital Strategies, examinou sinistros, velocidade e percepção dos motociclistas. O trabalho não identificou redução estatisticamente significativa dos sinistros de forma geral e apontou atenção especial aos cruzamentos e às mudanças no comportamento de velocidade.
A Perkons afirma que seu estudo observa uma dimensão diferente: a possível atuação complementar da fiscalização eletrônica em corredores que já têm a infraestrutura. Régis Nishimoto, diretor da empresa e um dos autores, diz que a pesquisa procurou verificar se a combinação entre organização do espaço e outras ferramentas de segurança poderia produzir resultados adicionais, sem atribuir a redução exclusivamente aos radares.
A empresa disponibilizou os dados tratados, os critérios de processamento, as etapas de integração e a metodologia. O material pode ser consultado e submetido a análises independentes por pesquisadores, universidades, órgãos gestores e outros interessados.







