Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Mulheres com deficiência relatam mais violência doméstica, aponta DataSenado

Pesquisa ouviu 2.828 mulheres com deficiência e mostra obstáculos para reconhecer agressões, buscar ajuda e romper a dependência financeira.

Mulheres com deficiência relatam mais violência doméstica, aponta DataSenado
Foto: Divulgação

Mais de um terço das mulheres com deficiência no Brasil já sofreu violência doméstica cometida por homens. O índice chega a 38%, acima dos 28% registrados entre mulheres sem deficiência, segundo pesquisa do DataSenado.

O levantamento ouviu 2.828 mulheres com deficiência. Esse grupo representa 13% da amostra e corresponde a um universo estimado de 11,7 milhões de brasileiras. Entre as entrevistadas, 19% afirmaram ter sofrido agressões nos últimos 12 meses. Para 69% delas, a violência dura há mais de um ano.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher é realizada pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV). Esta foi a primeira edição a incluir a autoidentificação de pessoas com deficiência. Ao todo, participaram 21.641 brasileiras com 16 anos ou mais, em entrevistas realizadas entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. A margem de erro geral é de 2 pontos.

Tipos de violência e idade das vítimas

Entre as mulheres com deficiência que sofreram violência, os relatos de agressão sexual e patrimonial aparecem em proporção maior que entre as mulheres sem deficiência. A violência sexual foi mencionada por 39% das vítimas com deficiência, ante 28% das demais. A violência patrimonial alcançou 46%.

Em 65% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão mais grave. Para 36% das vítimas, o primeiro episódio aconteceu até os 19 anos. Outras 24% sofreram a primeira agressão entre 20 e 29 anos.

Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, afirma que a combinação de capacitismo e machismo pode aumentar o controle sobre essas mulheres e limitar sua autonomia. Ela chama atenção para situações em que telefone, documentos ou dinheiro são controlados sob a justificativa de cuidado ou proteção.

Talita Oliveira, analista e assistente social do OMV do Senado Federal, relaciona a maior ocorrência de violência sexual e patrimonial às barreiras históricas enfrentadas pelas mulheres com deficiência. Ela também aponta que a dependência econômica ou de cuidados pode restringir o acesso a recursos e benefícios como o BPC.

Reconhecimento e busca por ajuda

Apenas 7% das mulheres com deficiência que passaram por situações compatíveis com agressão se reconheceram como vítimas. A dificuldade de identificar a violência pode ser agravada quando comportamentos de controle e coerção são tratados como parte da rotina ou como formas de cuidado.

O desconhecimento sobre os mecanismos de proteção também é maior nesse grupo. Cerca de 18% das entrevistadas com deficiência disseram não ter nenhum conhecimento sobre a Lei Maria da Penha, o dobro dos 9% observados entre mulheres sem deficiência. Sobre as medidas protetivas de urgência, 23% afirmaram desconhecer completamente o mecanismo, ante 15% entre as mulheres sem deficiência.

Quando a violência acontece, 83% das vítimas com deficiência não denunciam. Apenas 16% procuraram o Ligue 180. Entre as mulheres que pediram medida protetiva de urgência, 19% disseram que o agressor descumpriu a ordem.

As barreiras de comunicação e a falta de privacidade podem dificultar o pedido de ajuda. Uma mulher surda pode precisar de um meio específico para se comunicar, enquanto uma mulher com deficiência intelectual pode ter dificuldade para explicar o que ocorreu. Quando o agressor controla o telefone ou o celular, a denúncia pode representar um risco elevado.

Dependência financeira e condições de vida

A pesquisa mostra que 78% das mulheres com deficiência não exercem trabalho remunerado — cerca de 2.206 das 2.828 entrevistadas. Outras 48%, aproximadamente 1.357 mulheres, não conseguem se sustentar financeiramente. Entre as mulheres sem deficiência, esse índice é de 31%.

A renda familiar também é baixa: 80% vivem com até dois salários mínimos, enquanto apenas 3% estão em famílias com renda superior a seis salários mínimos. Entre as que trabalham, 46% atuam por conta própria; desse grupo, 72% estão na informalidade.

Na escolaridade, 10% declararam não ser alfabetizadas e apenas 11% concluíram o ensino superior. Para 29% das mulheres com deficiência, o ambiente familiar é o espaço de maior desrespeito, ante 21% entre as mulheres em geral.

A percepção sobre o machismo também aparece nos resultados: 72% consideram o Brasil um país muito machista e 56% avaliam que as mulheres não são tratadas com respeito. Entre as entrevistadas com deficiência, 55% se autodeclararam pretas, pardas ou indígenas e 45%, brancas ou amarelas.

Maria Slemenson defende que os serviços públicos levem em conta as necessidades específicas dessas mulheres, com informação, atendimento acessível e profissionais preparados. Talita Oliveira afirma que as próprias mulheres com deficiência precisam participar da formulação das políticas públicas que afetam suas vidas.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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