A Paramount Skydance poderá avançar para concluir a compra da Warner Bros. Discovery depois de firmar um acordo com a Califórnia e outros 11 estados que tentavam barrar a operação na Justiça. O WGA, sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos, também encerrou uma ação paralela contra a fusão.
O entendimento ainda depende da aprovação de um juiz federal. Se for validado, a ordem judicial que impedia o fechamento do negócio, avaliado em cerca de US$ 110 bilhões, será retirada.
Compromissos para filmes e trabalhadores
A empresa formada pela união terá de distribuir pelo menos 30 filmes por ano nos 2 primeiros anos e 32 nos 3 seguintes. Entre os lançamentos anuais, no mínimo 4 deverão ser produções independentes. Se não cumprir as metas, a Paramount poderá pagar US$ 30 milhões por filme que deixar de lançar e, em determinadas situações, ser obrigada a vender a Miramax.
Também foi estabelecido um investimento adicional de pelo menos US$ 1,5 bilhão em produção cinematográfica nos Estados Unidos durante o período do acordo. Outros US$ 47,5 milhões serão destinados a treinamento e apoio para trabalhadores afetados pela fusão.
Paramount e Warner deverão negociar separadamente os canais básicos de TV paga por 5 anos. CNN e CBS News terão um conselho voltado à preservação de sua independência editorial.
O acordo com o WGA impede demissões de redatores da CBS News durante 5 anos e prevê US$ 17,5 milhões para o fundo de saúde do sindicato, além do pagamento das despesas jurídicas do processo. A entidade afirmou que continua entendendo que a fusão trará prejuízos aos roteiristas e à indústria, mas desistiu da ação porque teria de conduzir sozinha um processo antitruste complexo e milionário.
Fechamento pode ocorrer em duas semanas
David Ellison comunicou aos funcionários da Paramount que os principais entraves à aquisição foram removidos. “Estamos planejando provisoriamente concluir em aproximadamente duas semanas”, afirmou o CEO em um memorando interno divulgado nesta segunda-feira (21/9).
Mesmo com a conclusão da transação, a integração das companhias não será imediata. Paramount Pictures, Warner Bros., CBS, HBO, CNN, Nickelodeon, MTV, HBO Max, Paramount+ e outros ativos passarão a fazer parte do mesmo conglomerado, enquanto a reorganização operacional continuará depois do fechamento formal.
A Paramount fechou o acordo de compra em fevereiro, após vencer uma disputa com a Netflix. A plataforma havia negociado a aquisição de parte da Warner, mas não cobriu a proposta concorrente e recebeu US$ 2,8 bilhões em multa rescisória.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos autorizou a operação em junho. Autoridades antitruste de dezenas de outros mercados também deram aval, inclusive no Brasil. Em julho, porém, uma coalizão liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, processou as empresas sob a alegação de que a fusão reduziria a concorrência no cinema e na TV paga.
O contrato previa pagamentos adicionais aos acionistas da Warner Bros. Discovery se a operação passasse do fim de setembro. A previsão levou Ellison a pressionar por uma solução antes de outubro, enquanto a demora elevava o custo da aquisição.







