Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Felipe Vassão critica uso de obras sem licença no treinamento de IAs musicais

Produtor musical afirma que a automação ameaça artistas independentes e defende licenciamento comercial dos dados usados pelos sistemas.

Felipe Vassão, produtor musical responsável por obras vencedoras do Grammy Latino, vê a disputa entre editoras ligadas à Sony e à Warner e a Anthropic como parte de uma discussão maior sobre os limites do uso de conteúdos protegidos por direitos autorais no treinamento de sistemas de inteligência artificial.

As empresas processaram a Anthropic, responsável pelo modelo Claude, sob a alegação de que a companhia teria usado materiais proprietários sem autorização. Para Vassão, o caso representa mais uma tentativa de estabelecer até onde as empresas de tecnologia podem ir ao utilizar obras não licenciadas.

“O que a gente viu nos últimos anos foi um completo atropelo dos direitos autorais por parte das grandes empresas”, afirmou o produtor.

Como a IA produz música

Vassão começou a estudar inteligência artificial em 2011, quando trabalhava com trilhas publicitárias. Naquele momento, as ferramentas buscavam reproduzir etapas do processo musical por meio de sistemas baseados em MIDI, padrão de conexão física e lógica. A criação era organizada a partir da escolha e da combinação de notas, seguida por gravação e mixagem.

Segundo ele, os sistemas atuais trabalham de outra maneira. Eles analisam espectrogramas e identificam padrões visuais do som, produzindo faixas semelhantes sem compreender exatamente quais notas estão presentes. Essa lógica, avalia o produtor, depende da apropriação de conteúdo autoral para gerar resultados convincentes.

Na entrevista, Vassão também citou plataformas como Suno e Treblo e contestou a comparação entre modelos de IA e estudantes. Para ele, a ideia de que essas ferramentas apenas aprendem com obras disponíveis ao público ignora que o conhecimento musical envolve tempo e investimento de quem estudou e criou.

O produtor afirma que os artistas ocupam a posição mais vulnerável nesse processo. A redução do custo de produção pode dificultar a entrada e a permanência de profissionais independentes, que precisam de espaço para desenvolver seu trabalho, aprender e cometer erros. Ele também criticou a expansão da chamada service music, feita para funcionar como trilha de fundo em hotéis e redes sociais.

Para Vassão, sistemas baseados em médias estatísticas e reconhecimento de padrões tendem a criar músicas previsíveis, projetadas para não provocar o ouvinte. A discussão, diz ele, ultrapassa o campo musical e envolve uma questão social.

Como alternativa, o produtor defende o licenciamento comercial dos dados usados no treinamento. O modelo permitiria remunerar criadores e estimular o uso de acervos de alta fidelidade, além de favorecer ferramentas de inteligência artificial mais responsáveis e tecnicamente superiores. Ele também considera necessário ampliar o conhecimento público sobre o funcionamento desses sistemas para que a tecnologia possa ser analisada e criticada com mais propriedade.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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