Ouro Preto, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Nelio Biedermann transforma a queda de uma elite em saga familiar

Em Lázár, o escritor suíço acompanha uma família húngara atravessada por guerras, fascismo e comunismo.

Nelio Biedermann transforma a queda de uma elite em saga familiar

O romance Lázár, do suíço Nelio Biedermann, acompanha a ruína da dinastia Von Lázár e usa a trajetória de uma família para refletir sobre a decadência das elites aristocráticas na primeira metade do século XX.

Escrito em alemão e lançado agora no Brasil, o livro se passa em torno da mansão dos Von Lázár, em Pécs, no sul da Hungria atual. Rica e detentora de grande poder, a família vive cercada por uma floresta perigosa, em um cenário que remete às fábulas góticas.

Uma família diante da história

A narrativa começa com o nascimento de Lajos, uma criança tão branca que parece de vidro e que, em princípio, seria a herdeira da família. Ao longo da saga, acompanhamos também seus pais, Sándor e María, sua irmã, Ilona, e os filhos de Lajos, Pista e Eva.

Cada geração enfrenta mudanças políticas e sociais próprias. As guerras, o fascismo e o comunismo avançam sobre a vida dos personagens e participam da destruição do Império Húngaro. Biedermann organiza esse percurso em episódios, aproximando acontecimentos históricos e experiências individuais, embora essa relação nem sempre apareça de forma bem concatenada.

Nascido em 2003, o autor se apresenta como um escritor da geração Z interessado em construir um romance épico para o presente. Em vez de narrar diretamente as ações, escolhe descrevê-las. O procedimento dá ao livro uma forma peculiar, mas também faz com que a leitura nem sempre transcorra suavemente.

Os personagens são apresentados sem muitas nuances, como se representassem tipos históricos específicos. Essa escolha reforça a dimensão de alegoria da saga, mas reduz a complexidade dos indivíduos que atravessam a história.

A família de Biedermann fugiu da Hungria para a Suíça em 1950, durante a ascensão do comunismo no país. O paralelo entre a trajetória familiar do escritor e o clã ficcional é evidente. Em Lázár, a escrita pode ser lida como uma tentativa de elaborar um trauma geracional.

Lázár, de Nelio Biedermann, tem tradução de Kristina Michahelles e foi publicado pela Record. A edição tem 225 páginas e custa 74,90 reais.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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