Thiago Lacerda descreveu Paulo Autran como responsável por uma das grandes aulas de sua carreira. Sem formação tradicional em atuação, ele contou que aprendeu com a convivência e observação de artistas veteranos, durante os trabalhos que marcaram o início de sua trajetória.
Ao lembrar a experiência com Paulo, Lacerda contou que o encontrou no camarim, enquanto se preparava para gravar. O ator perguntou se ele havia decorado a cena e o que pensava sobre o personagem. Diante da insegurança, Paulo o chamou para sentar e apresentou o texto de maneiras diferentes. No fim, entregou as páginas e disse: “Pronto, agora você escolhe?”.
A partir dali, Lacerda passou a acompanhar a rotina do colega no Projac. Conferia os dias de gravação, ia ao local mesmo quando tinha poucas cenas e observava Paulo conversar, estudar, trocar de roupa e lidar com o trabalho. Para ele, o veterano era um devoto da palavra e do ofício.
A convivência com Mário Lago
Em “Hilda Furacão”, Lacerda também dividiu o ambiente de trabalho com Mário Lago. Ele contou que, ainda jovem, reconhecia a importância do artista, mas não conseguia estabelecer uma conversa. Os dois voltavam de van para casa — Mário seguia para o Rio Comprido, enquanto Lacerda ia para o fim da Tijuca — e o ator disse que ficava nervoso quando o colega tentava conversar.
A convivência com os dois artistas foi, para Lacerda, uma forma de formação prática. Ele afirmou que se apaixonou pela profissão nesse período e passou a entender aquelas oportunidades como presentes da vida.
Tarcísio Meira e o cinema
A associação com Tarcísio Meira começou na infância. Aos sete anos, uma professora de matemática disse a Lacerda: “Menino, você é a cara do Tarcísio Meira”. O apelido voltou quando ele estreou na televisão.
Mais tarde, os dois trabalharam juntos em “Beijo do Vampiro”, como antagonistas, e em “Páginas da Vida”, interpretando pai e filho. Lacerda também contou que se aproximou de Glória Menezes durante as gravações e criou um vínculo com a família. Segundo ele, a relação com o casal trouxe carinho, respeito e responsabilidade, sem ser vista como provocação ou peso.
No cinema, Lacerda interpretou Capitão Rodrigo em “O tempo e o vento”, personagem associado à atuação de Tarcísio. Antes de gravar, procurou o veterano para contar sobre o papel. Tarcísio fechou o livro que lia e respondeu: “Você vai fazer muito bem, está na idade para fazer!”. Lacerda disse que o encontro foi especial e que sentiu o peso da responsabilidade por assumir um personagem tão conhecido.
Ele também afirmou sentir saudades de Tarcísio e contou que conversou recentemente com a família por ocasião da morte de Glória.







