Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Black Album nasceu de testes que desmontaram velhos hábitos do Metallica

Bob Rock mudou a rotina de criação da banda com perguntas, afinações mais baixas e gravações coletivas durante a pré-produção.

Black Album nasceu de testes que desmontaram velhos hábitos do Metallica

O Metallica transformou seu processo de gravação durante a preparação do disco que sairia em 1991 e ficaria conhecido como “Black Album”. A mudança não veio de um plano fechado, mas de testes sucessivos propostos pelo produtor Bob Rock — e ajudou a criar o álbum mais vendido da carreira do grupo.

Uma nova forma de tocar junto

Rock percebeu que a banda vinha trabalhando com muitos riffs, mudanças constantes de andamento e partes registradas separadamente. Até então, cada integrante costumava tocar sozinho, isolado em uma sala, acompanhando um click track. As gravações eram montadas depois, trecho por trecho.

O produtor sugeriu reunir os músicos no mesmo ambiente, tocando ao mesmo tempo e se olhando durante a execução. O grupo passou a aceitar mais imperfeições individuais em troca de uma sensação de conjunto que o método anterior dificultava.

A estrutura das canções também foi alterada. Em vez de composições de dez minutos com uma dúzia de mudanças de andamento, Rock propôs músicas mais curtas e concentradas em uma ou duas ideias principais.

O teste que abriu caminho

Seis músicas já estavam na pré-produção quando o produtor notou que todo o material composto até aquele momento estava afinado em Mi. Ao perguntar o motivo, ouviu de James Hetfield que aquela era a nota mais grave disponível para a banda.

Rock então sugeriu Ré, mencionando Van Halen e Black Sabbath como referências de grupos que afinavam mais baixo. O Metallica fez o teste imediatamente, e o resultado surpreendeu os músicos. “Foi uma coisa pequena, e aos poucos a parede foi caindo”, diria Rock depois.

A afinação foi apenas o primeiro passo. O produtor identificava hábitos, fazia uma pergunta, propunha uma alteração pequena e esperava o resultado antes de avançar. A banda já havia gravado três discos com Flemming Rasmussen, mas o trabalho de Rock mexeu em práticas que vinham desde o começo da carreira.

O caso de “Sad But True”

A aplicação mais clara desse método apareceu em “Sad But True”. A versão levada à pré-produção era rápida, seguindo a maneira como o Metallica costumava tocar. Rock estranhou o resultado e perguntou por que a música estava naquele andamento.

Ele percebeu uma aproximação com “Kashmir”, do Led Zeppelin, mas considerou que a semelhança só apareceria se a faixa fosse desacelerada. Pediu a Hetfield que repetisse o riff bem mais devagar e com mais peso. A banda experimentou a ideia, que funcionou.

“Enter Sandman” surgiu no mesmo período por uma via diferente. Kirk Hammett levou um riff simples para os padrões técnicos adotados pelo grupo até então, e a música foi concluída em um ou dois dias, sem que Rock precisasse fazer uma nova intervenção. O procedimento já havia sido incorporado pela própria banda.

Um disco de grande alcance

A direção mais simples e melódica incomodou parte do público que acompanhava o Metallica desde os discos de thrash mais técnico. A banda e Bob Rock, porém, defenderam a mudança como necessária depois de quatro discos seguindo o mesmo caminho.

Antes do novo álbum, “...And Justice for All” (1988) havia reunido faixas longas e cheias de alterações de andamento. Anos depois, Lars Ulrich resumiria a percepção daquele momento dizendo que “aquele lado do Metallica tinha esgotado sua função”.

O “Black Album” vendeu mais de 31 milhões de cópias no mundo e ficou quatro semanas no topo da Billboard 200. Com o passar das décadas, “Sad But True” se tornou uma das faixas mais reconhecíveis da banda, marcada justamente pelo andamento mais lento testado naquela pré-produção.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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