O produtor Eddie Kramer afirmou que a energia de “Alive!” continuou presente mesmo depois de uma extensa reconstrução em estúdio. O álbum ao vivo do Kiss, lançado em 1975, recebeu overdubs em praticamente todos os elementos, com exceção da bateria de Peter Criss, que permaneceu sem correções adicionais.
As gravações originais foram feitas entre maio e julho, em apresentações em Detroit, Cleveland, Davenport e Wildwood, em Nova Jersey. O Kiss se movimentava muito no palco, o que afetava a afinação e a precisão. Gene Simmons também reconheceu que cometia muitos erros no baixo durante os shows. Kramer resumiu o processo: “Tivemos que criar esse disco a partir dos shows ao vivo, com overdubs de guitarra”.
Retoques em Nova York
A reconstrução aconteceu no Electric Lady Studios, em Nova York. Ace Frehley escreveu na autobiografia “No Regrets” que a banda passou a maior parte de três semanas ajustando as faixas. Em alguns casos, os músicos refizeram músicas inteiras. Os vocais de Paul Stanley e Gene Simmons também foram avaliados por Kramer, que nem sempre aprovava o material registrado ao vivo.
A plateia igualmente foi editada. Os melhores aplausos e gritos de shows diferentes foram combinados, e o Rolling Stone Album Guide comentou o caráter artificial do som do público.
O trabalho ocorreu ao lado de outra produção importante: no estúdio vizinho, Peter Frampton mixava “Frampton Comes Alive!”. Em entrevista à Guitar Player, em 2005, Frampton contou que Paul e Ace apareciam para pedir guitarras, amplificadores e baixos emprestados. Kramer também se lembrava de ter visto amplificadores de Frampton no estúdio A, perto dos Marshall usados por Ace e Paul.
O resultado nas paradas
“Alive!” chegou ao nono lugar da Billboard 200, permaneceu 110 semanas nas paradas e ganhou disco de ouro em dezembro de 1975, o primeiro do Kiss. Foi também o primeiro álbum da Casablanca a alcançar o Top 10, dando à gravadora o sucesso de que precisava naquele momento.
Anos depois, ao falar sobre os overdubs, Kramer não viu o processo como uma perda da força das apresentações: “Quem se importa se teve overdub? A energia ainda se sente.”








