Ouro Preto, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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As decisões que transformaram o fim do Clash em uma disputa interna

A saída de Mick Jones foi precedida por conflitos sobre a mixagem de Combat Rock, a direção musical e o comando do grupo.

A demissão de Mick Jones, anunciada por Joe Strummer e Paul Simonon em setembro, encerrou a formação clássica do Clash depois de uma sequência de conflitos internos. A crise se aprofundou durante a preparação de Combat Rock, quando os dois principais compositores passaram a defender caminhos diferentes para o disco.

Duas versões para o mesmo álbum

No fim de 1981, Jones dizia ter chegado primeiro à banda. Strummer sustentava que, sem sua presença, o grupo nem existiria. Em cinco anos, o Clash havia deixado os clubes de Londres e alcançado o posto de estrela global do rock, enquanto o desgaste aumentava com a exaustão, a pressão comercial, as divergências ideológicas e o abuso de drogas.

Para concluir o novo trabalho, os dois fizeram mixagens separadas. Jones, interessado em hip hop, levou o material para um estúdio e voltou com uma versão marcada por dance music e dub. Strummer considerou o resultado confuso, e a gravadora recusou o material. A CBS então chamou Glyn Johns, engenheiro de som que já havia trabalhado com Rolling Stones, Beatles, Led Zeppelin, Eagles, The Who e Jimi Hendrix.

Johns conhecia pouco do punk e inicialmente olhava o gênero com desdém. Depois de ouvir as gravações, mudou sua avaliação. “foi uma agradável surpresa”, escreveu o engenheiro em seu livro autobiográfico, citado por Júlio Ettore em um vídeo sobre o episódio.

A reunião sem o guitarrista

A decisão seguinte ampliou o racha. Jones não apareceu à reunião marcada para discutir o trabalho. Johns e Strummer aproveitaram a ausência para cortar partes de várias faixas e transformar o projeto em um álbum simples, em vez do disco duplo defendido pelo guitarrista.

Jones chegou ao estúdio às sete da noite, quando o trabalho já estava concluído. Johns contou que o músico sugeriu mudanças em cada faixa e ouviu que suas propostas poderiam ter sido consideradas se ele tivesse chegado às dez da manhã, junto dos demais. Depois disso, Jones desistiu de opinar sobre o disco.

Apesar do conflito, Combat Rock se tornou o maior sucesso comercial do Clash, entrou no top 10 dos Estados Unidos e do Reino Unido e produziu “Rock the Casbah” e “Should I Stay or Should I Go”. Dias antes do lançamento, em maio de 1982, Topper Headon foi demitido por não conseguir superar a dependência de heroína. Terry Chimes, baterista original do grupo, assumiu a função.

O palco antes da ruptura

O rompimento ganhou forma definitiva em maio de 1983, durante o US Festival, na Califórnia. O Clash aceitou meio milhão de dólares para encabeçar o Punk Day, desde que parte do lucro fosse destinada a instituições de caridade. Quando o acordo foi cancelado em cima da hora, a banda ameaçou não tocar.

O grupo entrou no palco com duas horas de atraso, diante de 140 mil pessoas. Strummer evitava a aproximação de Jones, e os dois discutiram durante as músicas. Em setembro, Strummer e Simonon anunciaram a demissão do guitarrista.

A tentativa de continuar sem Jones resultou em Cut the Crap, lançado em 1985. O álbum teve vendas razoáveis, mas recepção desastrosa. O último show ocorreu em julho daquele ano, na Grécia, e o Clash se dissolveu no início de 1986.

Jones passou a trabalhar com o Big Audio Dynamite. Em 1991, “Should I Stay or Should I Go” chegou ao primeiro lugar britânico. Os dois ex-companheiros ainda dividiram um palco pela última vez em 2002, poucos meses antes da morte de Strummer, em dezembro daquele ano.

Texto produzido pela Redação Cultura em Curso com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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