O produtor Rick Bonadio atribuiu a força do sertanejo à capacidade de seus profissionais trabalharem juntos. Em entrevista ao canal de Mateus Starling, ele disse que o desempenho do gênero não pode ser explicado apenas pelo dinheiro investido e fez uma autocrítica sobre o pop rock brasileiro.
Para Bonadio, artistas e equipes do sertanejo mantêm uma articulação que não se consolidou no rock. Ele afirmou que o segmento é focado, profissional e disposto a colaborar, enquanto o pop rock teria dificuldade para sustentar o mesmo nível de união. “Eles são mais inteligentes, eles se ajudam”, declarou.
Um mercado com grande circulação
Bonadio descreveu o sertanejo como um setor que movimenta o país por meio de feiras e festas de cidade. Na avaliação dele, o gênero reúne público numeroso, dinheiro em circulação e profissionais talentosos, embora também tenha pessoas boas e ruins, como ocorre em qualquer estilo.
Quando o entrevistador mencionou recursos que saem do campo para financiar carreiras de cantores, o produtor lembrou que gravadoras também investem em seus artistas. Ele rejeitou a ideia de atribuir ao dinheiro uma vantagem desonesta do sertanejo.
A diferença de postura apareceu ainda em uma comparação com o rock. Bonadio citou artistas que, depois de alcançar sucesso, deixariam de colaborar com outros nomes. Para ele, o sertanejo demonstra mais tolerância e disposição para participações.
Uma gravação como exemplo
O produtor contou que, duas semanas antes, durante a gravação de um disco de country que produz, uma cantora chamada Mariana Fagundes foi convidada para participar do projeto. Mesmo com vários compromissos, ela teria conseguido comparecer, aprender a música rapidamente, gravar e seguir a agenda.
Bonadio usou o episódio para contrastar esse comportamento com o que imagina que aconteceria em uma banda de rock diante de uma participação semelhante. Na visão dele, a colaboração entre artistas sertanejos torna o trabalho mais simples e eficiente.
Rádio, televisão e inteligência artificial
A conversa também passou pelo papel do rádio e da televisão na apresentação de novos artistas. Segundo as contas do produtor, cada meio representava algo como 30% da estratégia no passado; atualmente, a participação estaria em torno de 15%.
Ainda assim, ele considera o rádio importante para gêneros como sertanejo, pagode e MPB. Um cantor sertanejo interessado em fazer shows pelo Brasil inteiro, disse Bonadio, precisa tocar nas emissoras. O trap, na avaliação dele, consegue abrir mão desse caminho.
Sobre músicas produzidas por inteligência artificial, Bonadio afirmou que ainda não formou uma opinião completa. Ele comparou a emoção causada por essas faixas à admiração por uma réplica de um quadro de Picasso e criticou o uso de trechos de músicas criadas por seres humanos sem pagamento ou autorização. Para o produtor, essa prática configura fraude.







