Antes de se tornarem referências do rock, John Bonham e Neil Peart encontraram no cinema uma inspiração decisiva para começar a tocar. Os dois bateristas admiravam Gene Krupa, nome central do jazz, e reservavam a ele um lugar acima de suas próprias gerações.
Um filme, duas trajetórias
Bonham conheceu o trabalho de Krupa ao assistir, com o pai, a “The Benny Goodman Story”. O relato é de Michael, irmão do músico, que contou a experiência em seu site e resumiu a impressão deixada pelo filme: “Gene Krupa era Deus”.
Outro título também fazia parte das preferências do futuro baterista do Led Zeppelin: “Beat the Band”. Na produção, Krupa aparece tocando em canos de vapor.
A influência sobre Peart começou de modo parecido. Em entrevista de 2003, o baterista canadense do Rush afirmou que teve vontade de tocar depois de assistir a “The Gene Krupa Story”, quando ainda não havia chegado à adolescência.
Sem uma bateria em casa, ele usava os objetos disponíveis para praticar. A família decidiu esperar antes de comprar um instrumento, e Peart recebeu aulas, um pad de estudo e baquetas no aniversário de 13 anos. Os pais condicionaram a compra de uma bateria à prova de que ele manteria o interesse por pelo menos um ano.
“Comecei a batucar nos móveis e no cercadinho da minha irmãzinha com um par de hashis”, contou o músico. Ele também espalhava revistas pela cama para criar kits imaginários de tambores e pratos.
Uma influência além do rock
A admiração por Krupa também alcançou músicos que eram seus rivais na época. Buddy Rich definiu o baterista como “um gênio, um gênio verdadeiramente grande da bateria”.
Eddie Condon comparou o impacto de sua execução ao efeito de um bourbon triplo. A influência de Krupa, assim, atravessou o jazz e chegou a gerações posteriores por meio de músicos como Bonham e Peart.








