Humberto Gessinger disse que evita transformar seus discos ao vivo em coleções previsíveis de sucessos. Para o músico, as gravadoras costumam esperar justamente esse tipo de repertório, capaz de reunir as canções mais conhecidas de um artista e ainda recuperar fonogramas quando ele muda de selo.
A explicação levou Gessinger a comentar “Live and Dangerous”, álbum duplo do Thin Lizzy frequentemente tratado como um dos grandes discos ao vivo do rock. O produtor Tony Visconti, que também era baixista e trabalhava nos discos de Bowie, teria apresentado versões diferentes sobre quanto do registro recebeu playback.
“Ah, ao vivo? Aquilo lá é um monte de playback”, teria dito Visconti, conforme o relato recuperado por Gessinger em entrevista ao podcast Corredor 5. O músico também mencionou uma entrevista de um guitarrista do Thin Lizzy, segundo a qual o produtor falou primeiro em 20% de playback, depois em 30% e, mais tarde, em 70%.
Gessinger contou que essa postura o fez deixar sucessos fora de trabalhos dos Engenheiros do Hawaii. “Alívio Imediato”, primeiro disco ao vivo da banda, não incluiu “Segurança”, que havia feito sucesso ao menos no Sul. Mais tarde, “Filmes de Guerra, Canções de Amor” também não reuniu as faixas associadas a “O Papa É Pop”.
O músico afirmou ainda que costuma reservar espaço para músicas inéditas, contrariando a lógica de gravadoras que calculavam o repertório a partir de uma quantidade fixa de faixas. No “Acústico MTV”, ele recuperou “Dom Quixote”, parceria com Paulo Galvão lançada em “Dançando no Campo Minado” e que, até então, nunca havia sido tocada.
Segundo Gessinger, a escolha por canções menos óbvias acabou recompensada: hoje, o público canta a letra inteira de “Dom Quixote” nos shows. Ele compara músicas assim a uma reserva de oxigênio e a uma jazida de petróleo, que se esgota quando o repertório é administrado de maneira racional demais.







