David Gilmour não saiu convencido de uma apresentação de Michael Jackson que viu em uma arena coberta nos Estados Unidos. Em entrevista à Q Magazine, em 1990, o guitarrista do Pink Floyd avaliou que o espetáculo não correspondia ao potencial do cantor, que já era um fenômeno mundial.
A ressalva de Gilmour estava na organização da produção, e não no talento de Jackson. "Vi Michael Jackson em uma arena coberta nos Estados Unidos, e não foi grande coisa", afirmou. Ao imaginar como conduziria o trabalho, ele disse que precisaria de alguns dias para reorganizar o show.
O músico também declarou que teria condições de mudar o resultado caso recebesse tempo e dinheiro para isso. Para Gilmour, a apresentação poderia passar de "razoavelmente mediano a muito bom" com uma intervenção na produção.
A avaliação se relacionava à forma como o guitarrista enxergava grandes concertos. Durante os anos 1970 e 1980, o Pink Floyd combinou música, iluminação, projeções e elementos cênicos em suas produções. Esse repertório ajudava a formar o olhar de Gilmour para os detalhes que estruturam um espetáculo.
O contraste com Prince
Na mesma entrevista, Gilmour mencionou uma experiência diferente ao falar de Prince, que havia visto em Wembley. "Ele foi bom pra caramba", disse, destacando o cuidado do músico ao escolher as pessoas envolvidas na apresentação e ao acompanhar cada etapa do trabalho.
Gilmour afirmou que existem "atalhos que podem ser tomados e atalhos que não podem". Na avaliação dele, Prince entendia essa diferença ao buscar os melhores profissionais para cada função e dividir com a equipe a preocupação de só concluir o trabalho quando o resultado estivesse bem feito.
A crítica não alterava o tamanho alcançado por Jackson. Segundo o texto, o cantor já havia transformado a maneira como a música pop, os videoclipes e as grandes turnês eram apresentados ao público. Ainda assim, a montagem do show foi suficiente para receber reparos de um músico acostumado ao perfeccionismo visual do Pink Floyd.







