Joe Perry, do Aerosmith, colocava Jeff Beck em uma categoria própria entre os guitarristas que marcaram a história do rock. A admiração aparecia não só na técnica do músico britânico, mas também na capacidade de continuar descobrindo novas possibilidades para a guitarra.
Perry recordou uma das últimas vezes em que viu Beck tocar ao vivo, durante o Classic Rock Awards, realizado em Tóquio, em 2016. Na ocasião, ele estava sentado ao lado de Jimmy Page. Os dois reagiam juntos aos momentos mais inesperados da apresentação.
"Éramos como duas crianças, cutucando um ao outro com o cotovelo toda vez que Jeff fazia alguma coisa", contou Perry. A reação, segundo ele, também acontecia durante uma passagem de som. Mesmo nesse momento, Beck encontrava maneiras de surpreender músicos que já tinham passado décadas explorando o instrumento.
Um som sempre diferente
O que chamava a atenção de Perry ia além do domínio técnico. Beck mantinha uma curiosidade constante e parecia buscar sons novos mesmo depois de uma vida inteira dedicada à guitarra. "Essa é a genialidade. É por isso que existem todos nós, outros guitarristas, e depois existe ele. Toda vez que você o via, ele estava fazendo alguma coisa diferente", afirmou.
Perry também disse que Beck conseguia reproduzir efeitos semelhantes aos do slide usando apenas a alavanca. Até ao testar um amplificador, o britânico encontrava sonoridades que o guitarrista do Aerosmith nunca tinha ouvido.
Slash relatou uma experiência parecida ao participar de uma jam com Beck, Perry, Lenny Kravitz e Gilby Clarke. Impressionado, brincou que abandonaria a guitarra para vender seguros de vida.
Perry citou ainda Peter Green e a primeira fase do Fleetwood Mac como influências importantes. Beck, porém, ocupava outro lugar: era o músico capaz de fazer guitarristas consagrados se sentirem iniciantes novamente.







