Roger Daltrey não aceitava que “Won't Get Fooled Again”, um dos clássicos do The Who, fosse reduzida para caber no formato tradicional de single. A faixa, conhecida pela construção instrumental extensa e pelo grito do vocalista, tinha uma versão completa com mais de oito minutos.
Lançada no álbum “Who's Next”, em agosto de 1971, a música surgiu durante o desenvolvimento de “Lifehouse”, projeto de Pete Townshend que acabou abandonado. O The Who também colocou a faixa no mercado como single em junho daquele ano, numa edição bastante menor. O site oficial da banda identifica essa gravação como “Single Edit”.
Em declaração à revista Uncut, Daltrey resumiu a irritação: “Eu odiava quando cortavam. Eu dizia: 'Foda-se, lancem os oito minutos'”. De acordo com o vocalista, as justificativas envolviam o espaço disponível no disco e limitações técnicas da prensagem.
O formato dos singles
O incômodo não se limitava a “Won't Get Fooled Again”. Daltrey afirmou que situações desse tipo fizeram o grupo perder, aos poucos, o interesse pelo mercado de singles. A banda trabalhava com composições mais longas e estruturas que já não seguiam a exigência de entregar tudo em três minutos.
A edição reduzida, ainda assim, teve desempenho comercial. O single foi lançado em 25 de junho de 1971 no Reino Unido e alcançou o nono lugar da parada britânica. Nos Estados Unidos, chegou ao mercado em julho e entrou no Top 20.
Com o passar das décadas, foi a gravação integral que se firmou como referência e continuou associada ao encerramento de “Who's Next”. Na versão completa, a longa progressão instrumental conduz ao momento em que Daltrey solta o grito que marca a música. O corte retirava parte desse percurso para adaptar a faixa à duração esperada de um single.







